Seleções masculina e feminina apostam na renovação para manter hegemonia mundial

Seleções masculina e feminina apostam na renovação para manter hegemonia mundial

Zé Roberto aposta nas novatas para renovar a base da seleção (Foto: Divulgação/CBV)

As meninas do Brasil vão atrás do 12º título do Grand Prix, enquanto os atuais campeões olímpicos querem a décima Liga Mundial 

As seleções brasileiras feminina e masculina de vôlei já estão na preparação para o início da temporada do voleibol mundial. A equipe feminina, que atravessa um processo de grande renovação, começou os trabalhos esta semana no centro de treinamento Sportville, em Barueri. Já os homens, estão trabalhando há praticamente um mês no Centro de Desenvolvimento de Voleibol (CDV), localizado em Saquarema.

A carga de treinos vem sendo realizada visando as principais competições do calendário internacional. Os comandados de Renan Dal Zotto disputam, a partir do dia 2 de junho, a primeira fase da Liga Mundial, na Itália. E as meninas de José Roberto Guimarães terão pela frente o Montreux Volley Masters, torneio que antecede e serve de preparação para a o Grand Prix.

Seleção masculina vai em busca do decamcampeonato da Liga Mundial (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CBV)

Troca de comando no masculino

Com o fim da era Bernardinho no masculino e a entrada de uma novidade no cargo, a esperança é que os novos ares sejam um incentivo a mais para a geração jovem. O experiente Renan Dal Zotto atuou durante 13 anos como jogador da seleção e fez parte da Geração de Prata de 1984, em Los Angeles. Conquistou diversos títulos jogando no voleibol italiano e em 1993 iniciou a carreira como técnico, tendo sido vice-campeão da Superliga pelo Palmeiras. Mais recentemente, atuou como gestor e técnico da equipe de Florianópolis, onde conquistou quatro títulos da Superliga Masculina. Depois, ocupou o mesmo cargo na CBV e esteve presente no ouro olímpico de 2016.

Apesar de ter dado início aos treinos já no mês de abril, apenas a partir desta semana o treinador pôde contar com o grupo completo. Entre os 18 convocados para a primeira fase da Liga Mundial, apenas oito não estiveram entre os 12 campeões olímpicos no Rio. Desta forma, o Brasil manteve sua base, perdendo apenas Serginho – que se aposentou – e o levantador William, que se ausentou por motivos particulares. Dos novatos, destacam-se os atacantes Renan e Rodriguinho, atuais campeões da Superliga com Cruzeiro e que jogam nas posições de oposto e ponteiro, respectivamente.

Técnico conquistou a confiança do time com sua mecânica de trabalho (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CBV)

O ambiente de descontração e sintonia entre Renan e os jogadores pode ser um contraponto para o pouco tempo de trabalho que eles têm até a estreia na Liga Mundial contra a Polônia. Além disso, a experiência do técnico que já foi vice-campeão olímpico como jogador (em Los Angeles – 84), somada à bagagem de jogadores como Bruninho, Lucão e Maurício podem servir para tranquilizar e incentivar os que chegam agora ao grupo.

Outro fator que pode ser benéfico para o Brasil na fase classificatória da Liga, é a possibilidade de fazer testes na equipe, uma vez que o país sedia a fase final e, portanto, já está classificado. Por outro lado, a pressão pelo título que não vem desde 2010 (na Argentina) é grande, ainda mais para a seleção que é a maior campeã do torneio, com 9 conquistas.

Troca de comandadas no feminino

A convocação mais recente feita pelo técnico José Roberto Guimarães demonstrou o novo cenário vivido pela seleção feminina, uma fase de transição. Após campanha decepcionante na olimpíada do Rio, quando foi eliminada pela China nas quartas de final, apenas 5 atletas que estiveram no Rio fazem parte do grupo que está treinando em Barueri. E entre elas, somente Léia, Adenízia e Natália foram convocadas para o próximo torneio, o Montreux Volley Masters, na França.

Assim como ocorreu no ciclo de Pequim, a seleção deverá sofrer perdas significativas em seu plantel. Nomes como Fabiana e Sheilla não devem mais atuar pela seleção. Além delas, Dani Lins deseja ser mãe e Fernanda Garay vai se casar no final do ano. A boa notícia é que em pouco tempo a central Thaísa, que se recupera de uma lesão no tornozelo, pode estar de volta.

Dani Lins abdicou da seleção pelo sonho de ser mãe (Foto: Marlon Falcão/Inovafoto/CBV)

Na ausência de tantas campeãs olímpicas, algumas jovens jogadoras deverão ganhar mais espaço na seleção. Peças como a  ponteira Drussyla, a central Carol (ambas campeãs da última Superliga com o Rio de Janeiro) e a oposto Edinara terão uma chance valiosa de demonstrar seu potencial e ganhar visibilidade no atual cenário do voleibol brasileiro.

Com uma seleção muito talentosa, mas ainda inexperiente, Zé Roberto precisará ter muita paciência e jogo de cintura para se adequar a um ciclo olímpico totalmente diferente dos dois últimos, quando a seleção já tinha uma base consolidada. Além disso, as próprias atletas terão de entender que o momento não será somente de vitórias, mas sim de (re)construção de um grupo sólido, como ocorreu após campanha ruim na Grécia, em 2004.

Meninas lamentam revés em Atenas. Aquela foi a primeira de uma série de três derrotas duras, sofridas antes de Pequim (Foto: AP Photo/Morry Gash)

Luan Scanferla

Luan Scanferla

Estudante de jornalismo pela UFF, desde berço aficionado por futebol. Com o passar dos anos e o amadurecimento, me transformei em um apaixonado por ESPORTE. Sempre soube que em meu ofício o esporte deveria estar presente, mesmo que não como “ator”. Gosto de discussões acaloradas sobre o assunto, mas sempre com bom humor e trocadilhos em demasia.



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