“Chelsea é o nome. Azul é a cor”

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Merecidamente jogado para o alto: Conte foi a mudança que o Chelsea precisava para levantar o caneco (Foto: Premier League)

Depois do desastre, o título. Chelsea, o campeão inglês de 2016/2017!

A temporada passada do Chelsea deixou algumas certezas. Certeza de que o ano que passou tinha de ser esquecido. Certeza de que, mais do que nunca, seria necessária uma reformulação. Certeza de que, com o elenco que tem e os investimentos feitos, a 10ª posição da Premier League era vexatória. De tudo, a única coisa que havia sobrado era tempo. Tempo para refletir. Tempo para, sem competições europeias, focar no campeonato nacional. Tempo para voltar a ser Chelsea.

No banco, o começo

Dois técnicos em um ano. A falha no equilíbrio entre planejamento e resultado era visível. No começo, Guus Hidink. Depois, José Mourinho. A diretoria azul viu no Special One a certeza de que os tempos de glória voltariam. Penando para achar uma formação que o agradasse, Mourinho ainda arrumou polêmica com a médica da equipe, Eva Carneiro. O Chelsea, com seus medalhões, ao invés de estampar o caderno de esportes, figurava nas páginas policiais. Hazard, a principal estrela, se via desmotivado. Diego Costa, sem render metade do esperado, aumentava as especulações de sua volta para Madri. O vestiário era um caos.

Conti, na vitória sobre o Leicester que mudou o rumo do Chelsea na temporada (Foto: Premier League)

A solução, então, veio da Itália: Antonio Conte. Um legítimo gestor. Comandante de vestiário, Conte com seu estilo paizão era o que os Blues precisavam para voltar a brilhar. Dono de um estilo de jogo defensivo no papel, o italiano ficou famoso por seus times sólidos, consistentes, mas que quando necessário, massacram o adversário. Prato cheio para a mudança.

Peças pontuais e o brilho nos olhos

Faltava, sobretudo, a volta do brilho nos olhos. A vontade de jogar, perdida com os problemas internos, fez os craques se desmotivarem. Com a chegada de Conte, a animação voltou. E com ela, vieram os reforços.

Para o meio, N’Golo Kanté. Destaque do campeão Leicester, Kanté foi, discutivelmente, o melhor jogador da última temporada (15/16). Seguro, um legítimo ladrão de bolas, o camisa 7 chegava para ser a espinha dorsal do estilo de jogo de Conte. Da Itália, chegou Marcos Alonso. Vindo da Fiorentina e conhecido do novo técnico, Alonso chegava para dar velocidade e opção interessante ao esquema de jogo, podendo ser lateral ou zagueiro.

Kanté, o cão de guarda de Conte (Foto: Premier League)

Mais à frente, no decorrer da temporada, ainda veio do PSG, para a zaga, David Luiz. Emblemático para o torcedor azul, vindo de um PSG que já não rendia mais com sua presença, David voltou para casa para ser, de novo, um xerife.

Ademais, nada a mudar. Conte tinha em mãos o que precisava para fazer o Chelsea voltar a brilhar. E não é que ele fez?

A temporada do título

Depois de escolhido o esquema, a ideia era fazer os craques renderem tudo o que podiam. Antes de David chegar, o 4-1-4-1 deixava o time em função de Diego Costa. Entre as linhas de 4, Kanté flutuava para dar proteção à zaga. Com Pedro (ou William) e Hazard abertos, Oscar (que ainda estava no elenco) fazia o meio com Matic. A dupla de zaga tinha Terry e Cahill, com Ivanovic na direita e Azpilicueta na esquerda. O time, ainda assim, mesmo vencendo, não rendia o esperado.

Para provar que havia algo errado, dois tropeços em clássicos – contra o Liverpool em casa, na estreia de David, e o massacre contra o Arsenal – ligaram o sinal de alerta em Stamford Bridge: algo ainda precisava de ajustes. Conte, então, espelhando-se na sua Itália, que fez sucesso com um time limitado na Eurocopa, decidiu por um 3-4-3.

O surpreendente Moses, vindo do banco, foi peça-chave no título azul (Foto: Premier League)

Já no jogo seguinte, a mudança na equipe surtiu efeito. Com David, Cahill e Azpilicueta na zaga, Alonso, Kanté, Matic e o surpreendente Moses, vindo do banco, no meio, além de Hazard, Pedro e Diego Costa na frente, os Blues atropelaram o Leicester em casa, sem sequer levar sustos. E na sequência, mais quatro clean sheets, incluindo dois bailes, marcando 4 e 5 gols, em United e Everton, respectivamente. O ajuste fino estava perfeito. Era hora de assumir o protagonismo.

Campanha de campeão

Dizem os especialistas (e a própria matemática futebolística) que para ser campeão é necessário fazer 2/3 dos pontos em disputa. Isso equivale a vencer todos os jogos em casa, e fora dela, conquistar algumas vitórias e empates para somar à contagem. Foi exatamente o que fez o Chelsea.

Quase perfeito dentro de casa (ainda restando um jogo por fazer), os Blues perderam apenas 2 jogos, vencendo todos os outros. Liverpool e Crystal Palace foram os sortudos. Para compensar os tropeços, várias vitórias fora de casa. O clássico contra o City, em Manchester, e a vitória no King Power Stadium, contra o Leicester, mostraram que o Chelsea viria para ser campeão, mesmo que precisasse para isso, amassar os oponentes em suas casas.

Comemoração do gol de Batshuayi, o do título, contra o West Brom (Foto: Premier League)

Jogos consistentes, sem sofrer gols em vários deles, além de eficiência na frente, fizeram o time voar. E ontem (sexta-feira), veio o título: vitória de 1 a 0 contra o West Bromwich, fora de casa. Não foi o jogo perfeito e, nem de longe, o melhor do time. Mas, mais uma vez a eficiência reinou e, Batshuayi, outra importante peça trazida para a temporada, saiu do banco para selar o título azul.

Foi a coroação do trabalho bem feito. Atacando os problemas certos, o Chelsea mostrou que, sem grandes mudanças de jogadores, se refaz um elenco. A mudança de ares foi fundamental. Injeção de ânimo e adrenalina motivaram o time. E, então, veio o hexa. Indo mais longe, pode-se afirmar que, mantendo o nível, certamente o time vai chegar ainda mais forte para grandes competições na próxima temporada.

É tempo de festa, torcedor azul! Como diz o próprio hino: “Chelsea. Chelsea é o nome. Azul é a cor.”

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Guilherme Porto

Guilherme Porto

Algo entre o famoso soccer e o lacrosse universitário da Irlanda do Norte me interessam. A paixão por esportes (lê-se quase todos), acompanhada de uma boa resenha e uma cerveja gelada me encantam bastante. E, apesar de não podermos beber aqui, o resto garanto passar com agilidade e muita informação.



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