Prévia do UFC 211: Miocic x Cigano

Prévia do UFC 211: Miocic x Cigano
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Junior Cigano reeditam o combate de 2014, só que dessa vez há o cinturão da categoria em jogo (Foto: divulgação/UFC)

Com as disputas do cinturão dos peso-pesados e das palhas, o card do UFC desse fim de semana está recheado de talentos

Com 5 campeões e ex-campeõs do UFC, um deles campeão no Bellator também, mais um campeão em duas divisões do “extinto” WSOF, o UFC 211 promete uma noite emocionante para o fã de MMA. Os brasileiros Junior “Cigano” dos Santos e Jessica Andrade terão a chance de serem campeões.

Além disso, pode sair o próximo desafiante ao título dos penas, no embate entre Frankie Edgar e Yair Rodriguez. Há também Demian Maia dando novamente uma aula de Jiu Jitsu – sempre, não duvidem. E defendendo o cinturão das palhas está uma das melhores lutadores da atualidade, tranquilamente no top 5 mundial, Joanna Jedrzejczyk. Confira a prévia da RISE Esportes dos confrontos mais aguardados da noite:

Luta principal: disputa de cinturão peso-pesado Stipe Miocic (c) vs. Junior “Cigano” dos Santos

Desde 14 de dezembro de 2014, quando Junior “Cigano” dos Santos e Stipe Miocic se enfrentaram pela primeira vez, muita coisa mudou na divisão dos peso-pesados do UFC. Fabrício Werdum venceu Mark Hunt e conquistou o cinturão interino, que depois unificou com o linear ao bater Cain Velasquez. Apenas para se ver derrotado por Miocic, que chegou a defendê-lo uma vez com sucesso contra Alistair Overeem.

Nesse meio tempo, o brasileiro lutou apenas 2 vezes. A primeira, contra Overeem, que pulou na sua frente pela disputa do cinturão ao vencê-lo por nocaute técnico. E a subsequente, contra Ben Rothwell, que pôs Cigano de volta à fila do título com uma vitória do lutador de Santa Catarina por decisão unânime.

Mas pouca coisa mudou no estilo de luta de ambos. Da parte de Cigano, podemos esperar o seu boxe com suas esquivas fenomenais – um ultraje a, uma crítica a e quase uma brincadeira de mal gosto com a mão pesada dos lutadores de sua categoria. O lutador tem um desempenho físico e fôlego de dar inveja a quase todo o plantel do Ultimate, além de sua incrível capacidade de absorção de golpes.

De Miocic, há pouco o que falar. Sua estratégia deve ser um tanto diferente do ímpeto nocauteador que dominou suas últimas lutas. O que deve se manter é Stipe andando sempre para a frente, de modo a encurralar seu oponente na grade, onde surgiram as maiores oportunidades na sua última luta contra o brasileiro.

Se quiser vencer, visto que pouco mudou em ambos os lutadores, Junior deve buscar repetir o que deu certo no primeiro embate, e evitar as situações onde o oponente teve sucesso. Seus socos no corpo realmente incomodaram o americano, e abriram espaço para fintas que terminaram com duros golpes no rosto. Além disso, tais socos reduzem o fôlego do oponente, algo que Cigano deve procurar, pois foi um agente facilitador na outra luta.

Outro ponto é que a movimentação do Catarinense terá de ser mais intensa, de modo a evitar que Stipe se aproxime o suficiente para aplicar as quedas que tanto precisa, e também para evitar o jogo na grade, onde o brasileiro foi duramente punido. Tal ritmo mais acelerado pudemos ver na sua luta contra Ben Rothwell. Este mais parecia o King Kong a ser rodeado pelos aviões da Força Aérea Cigano, a golpeá-lo com socos diretos, overhands e cruzados. Por último, ao se distanciar, o ex-campeão deve ter a decência de levantar a guarda para evitar golpes bobos e limpos em seu rosto.

Para Miocic, o desafio é maior: não perdeu a primeira luta por pouca coisa, realmente foi inferior. Levando a pior trocando no meio do octógono, o americano tem que buscar levar o brasileiro ou à grade, ou ao chão, onde é muito superior. Não tem outra, esse é o caminho das pedras. Ele também deve evitar a qualquer custo os golpes de Cigano em seu abdômen, e talvez seja uma boa ideia ele mesmo buscar aplicá-los em seu adversário. Se há algo que pode ser feito para reduzir a mobilidade de Cigano, deve ser feito. É de boa serventia alguns chutes baixos também, já que o americano não teme o chão tanto quanto o brasileiro.

Pode parecer que há um certo favoritismo a Junior dos Santos. No entanto, Stipe pode surpreender. Na categoria mais pesada do UFC, qualquer golpe pode ser o último e Miocic vive boa fase. No MMA, a teoria cai por terra quando soa o gongo inicial.

Disputa de cinturão peso-palha feminino: Joanna Jedrzejczyk (c) x Jessica “Bate Estaca” Andrade

Jessica tem o desafio de sua vida diante de uma das melhores lutadoras de MMA do mundo (Foto: divulgação/UFC)

Muito se especulou a respeito dessa luta, e participaram disso tanto os fãs, quanto a imprensa internacional. Ambos consideraram a polonesa Joanna não tão favorita para essa luta. Um erro. A brasileira pode ter impressionado no seu último confronto, contra Angela Hill, ao vencê-la na trocação, mas não é uma trocadora nata. O segundo maior motivo de toda a especulação, e o mais importante, são as habilidades da brasileira no chão, que são excelentes. É, provavelmente, o único lugar na luta onde a brasileira se sentirá confortável. Isso se ela conseguir ir à lona sem estar nocauteada.

Já vivemos tal situação antes, quando Joanna enfrentou Claudia Gadelha 2 vezes e Carla Esparza, 1. O resultado foi que nenhuma das duas conseguiu levá-la ao chão efetivamente. A polonesa caía levantando, sua defesa de queda, seus reflexos, sua força e sua cautela impediram que ambas conseguissem desenvolver a luta no solo.

Soma-se a isso o assustador volume de golpes, a sua potência, o seu fôlego – que beira o impossível – e sua proficiência técnica e temos o motivo da campeã nunca ter sido derrotada. Quem pode fazê-lo? Nós a comparamos com Cristiane “Cyborg”, com a Ronda Rousey de antigamente, até com os grandes lutadores das categorias masculinas. Mas não encontramos alguém páreo entre as peso-palhas.

Joanna até já mostrou fraquezas: hesitou um pouco demais na sua luta contra Karolina Kowalcikiewicz, sofreu duros contragolpes de uma Claudia Gadelha cansada e bem castigada, mas até Jon Jones mostrava fraquezas. E, no entanto, no final das lutas, o triunfo era sempre dela e sempre óbvio. Por mais que passasse por momentos ruins durante os confrontos, a dominância no embate acabava por voltar a si. A campeã das penas é uma máquina de golpear e faz suas adversárias de saco de pancadas com facilidade. Suas sequências são tão volumosas e rápidas que parecem que saíram de Dragon Ball Z.

Tivemos uma amostra breve da evolução de Jessica Andrade. No entanto, breve não será o suficiente. A brasileira será exigida neste sábado ao máximo do máximo e, se quiser facilitar a luta, levando-a para o chão, vai ter que surpreender muito. Pois a polonesa não se cansa. E, enquanto ela tiver fôlego, será tão impossível derrubá-la quanto já foi para suas outras oponentes. Também não se pode esperar mais gás de Jessica do que da adversária. A brasileira estará à espera de um milagre.

Demian Maia x Jorge Masvidal: luta fácil para o gigante do jiu jitsu

Recusando-se a ficar inativo e esperar por uma disputa de cinturão mais do que merecida, mas que nunca vem, o brasileiro Demian Maia enfrenta nesse sábado um oponente que não está à sua altura. Aliás, quem está no seu nível na categoria dos meio-médios? Dono do melhor Jiu Jitsu do UFC, embora não exatamente o melhor adaptado ao MMA, a tônica nas últimas lutas de Maia foi mesma: Demian por cima, o oponente por baixo. E se a luta durasse 5 rounds, seriam os 5 rounds assim. Em 3, da sua sequência de 6 vitórias, chegou a finalizar seus oponentes. No entanto, isso não é necessário para que o brasileiro anule completamente o jogo dos adversários.

Jorge “Gamebred” Masvidal tem diante de si o maior desafio de sua carreira, por não ser versado na arte preferida de Maia. Quando foi testado contra Gilbert Melendez, Benson Henderson e Al Iaquinta, perdeu. Sua vitória mais notável foi em sua última luta, contra o excelente Donald Cerrone, onde o último pareceu esquecer tudo o que sabia sobre artes marciais para se envolver numa “briga de bar”. O embate virou uma troca de socos descontrolada, completamente sem técnica, e Cerrone acabou nocauteado. Mas será preciso muito mais que isso para Jorge bater um Demian, que não parece ter sido afetado pela idade e está no auge de sua carreira.

Frankie Edgar x Yair Rodriguez: quem ganhar disputa o título

Frankie “The Answer” Edgar por pouco não foi campeão dos penas no UFC. Um pouco que é na verdade muito e se chama José Aldo. Após descer da categoria dos leves, o americano teve Aldo como único obstáculo entre ele e o cinturão: foram 2 derrotas por decisão unânime.

Agora, Conor McGregor pode ter resolvido o seu problema. O irlandês acabou com a insana sequência de triunfos do lutador de Manaus, que não perdia desde 2005. José voltou a ser campeão, em cima do próprio Frankie Edgar, após McGregor ter seu cinturão removido por não defendê-lo. Mas foi visível a diferença entre o brasileiro de antes e o de depois da derrota. Podemos dizer agora que Aldo “sangra”. O dono da cinta irá defendê-la diante de Max Holloway, mas dessa vez não podemos dizer que ele é favorito. Assim, Edgar, vencendo Yair, poderá estar mais perto da cinta do que jamais esteve, sem um tal de José Aldo para atrapalhar.

Para Yair “Pantera” Rodriguez, a história é outra, mas a intenção é a mesma: o título. O mexicano é um menino prodígio de 24 anos que lidera uma sequência de 8 vitórias seguidas, a última sobre BJ Penn, que não se cansa de apanhar lutar. Caso vença seu oponente neste sábado, será impossível negar-lhe o próximo lugar na fila do cinturão. Portanto, é um combate decisivo para a categoria dos penas.

David Branch x Krzystof Jotko: o legado da WSOF em jogo

David Branch era campeão em 2 categorias no WSOF (Foto: divulgação/ WSOF)

David Branch é um lutador que merece destaque: é o campeão mais longínquo do recentemente “extinto” WSOF, presente desde a primeira edição, coroado no decorrer de sua trajetória na categoria dos médios e na dos meio-pesados. Branch, inclusive, se alternava entre as duas categorias de maneira a defender ambos os cinturões e chega numa sequência de 10 vitórias consecutivas para sua luta de sábado no Ultimate.

O americano já teve passagem pelo UFC também, com 2 vitórias e 2 derrotas, mas foi no World Series Of Fighting que fez o seu nome. A organização conseguiu em apenas 5 anos o incrível feito de construir campeões relevantes em diversas categorias – coisa que o Bellator, muito “maior” não conseguiu. este não consegue impedir seu limitado plantel de lutadores de fazer a mesma disputa de cinturão de Pat Curran contra Daniel Straus, até perdermos a conta de quantas já foram, para citar um exemplo. E o “maior” rival da organização de Dana White, quando tinha sucesso em tal feito, deixava escapar seus campeões, como aconteceu com Eddie Alvarez e Will Brooks, já contratados pelo Ultimate.

O WSOF enfrentou, entre o final do ano passado e no início do atual, problemas legais a respeito do uso de seu nome, ao mesmo tempo em que foi comprado, em uma série de eventos um tanto suspeita, onde o que realmente aconteceu não chegou à imprensa. Mas, como legado, deixou os reinados de Branch, de Justin Gaethje e de Marlon Moraes, além da promessa de retornar sob o nome de Professional Fighters League.  Justin e Marlon também serão postos à prova no UFC, o primeiro na final do The Ultimate Fighter 25, 7 de julho, e o segundo no UFC 212, no Rio de Janeiro, dia 3 de junho.

E afinal quem é Krzystof Jotko, oponente de Branch? Um polonês que vem em uma sequência de 5 vitórias, a última sobre o veterano Thales Leites. Mas isso pouco importa, ao menos por enquanto. O que está em jogo é o legado de uma organização que, sem pretensão de competir com as “2” maiores, realizou muito.

Eddie Alvarez x Dustin Poirier:

Eddie Alvarez saiu do Bellator como campeão, para sagrar-se também campeão pelo UFC. No entanto, devido ao seu reinado breve no Ultimate, é reconhecido mais pela participação na organização anterior (Foto: divulgação/ Bellator)

Falando nos concorrentes, Eddie Alvarez era campeão dos leves no Bellator e, quiçá, seu melhor lutador. Também fez 2 dos maiores embates da organização, contra seu rival Michael Chandler, que estão entre as lutas mais emocionantes que um ser humano pode ver, verdadeiros instant classics. O tira-teima entre os 2, para fechar a trilogia, chegou a ser marcado pelo Bellator, mas por conta de uma lesão de Eddie e, após isso, disputas contratuais entre o lutador e a organização, o UFC abocanhou o talento, que depois viria a sagrar-se campeão dos leves também pela organização de Dana White.

Estreando com uma derrota decepcionante para Donald Cerrone, Alvarez só enfrentou os melhores lutadores da categoria. As vitórias sobre Gilbert Melendez e Anthony Pettis, embora discutíveis, o credenciaram à disputa de cinturão contra o monstruoso Rafael dos Anjos. Silenciando as críticas, o americano nocauteou o brasileiro. Mas um irlandês apareceu para estragar a festa: Conor McGregor roubou seu cinturão e sagrou-se campeão em 2 divisões. Agora, o americano deve continuar vencendo se quiser continuar relevante.

Tendo enfrentado quase todos os tops da categoria, sobrou a Eddie oponentes mais medianos, o que é o caso de Dustin Poirier. Com suas derrotas mais recentes tendo sido para Michael Johnson, Conor McGregor e Cub Swanson, The Diamond mostra que, toda vez em que foi testado, sucumbiu. Agora, lhe foi dada uma nova chance. Uma pena, para ele, que tenha sido com um dos maiores guerreiros dos cages na atualidade, que além de vontade, mostra grande talento no boxe e no wrestling.

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Giovanni Pastore

Giovanni Pastore

Carioca, 22 anos, estudante de publicidade. Desiludido com o futebol e seus 90 minutos de aflição, comecei a explorar outras alternativas e assim me descobri apaixonado por esportes de combate. Gosto da reflexão sobre o seu papel social e também sobre os negócios que os rodeiam. Dentre eles, o MMA é meu favorito, o qual olho com muita admiração, mas sem perder o olhar critico.
foto por: Pamella Kastrupp



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