A magia de Manu Ginóbili

A magia de Manu Ginóbili
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O Hall da Fama te espera, Manu! (Foto: Jesse D. Garrabrant/NBAE via Getty Images)

A transformação da 57ª escolha do segundo round em uma lenda de San Antonio e futuro Hall of Fame

Emanuel “Manu” Ginóbili. Poucos conheciam este nome em meados da década de 90. Atuando na liga argentina de basquetebol pela equipe de sua cidade natal, o Estudiantes de Bahía Blanca, Manu permaneceu em casa até 1998, quando embarcou para a Itália. E lá começaria a se mostrar para o mundo.

Em 1999, se elegeu para o Draft e acabou sendo selecionado na 57ª escolha do 2º round pelo San Antonio Spurs. Entretanto, preferiu continuar atuando na liga italiana pelo Kinder Bologna – hoje Virtus Bologna -, onde conquistou o prêmio de MVP duas vezes (2001 e 2002). O jogador ainda ajudou sua equipe a vencer a EuroLeague em 2001, quando foi escolhido o MVP das finais.

Já com um grande currículo, Manu teve um excelente desempenho no Campeonato Mundial de 2002, em Indianápolis, ajudando a seleção argentina a alcançar a medalha de prata. Na ocasião o craque argentino foi escolhido para a equipe do torneio ao lado de ao lado de Yao Ming – outro que viria a alcançar o estrelato mais tarde – e de nomes já estabelecidos na NBA, como Dirk Nowitzki e Peja Stojaković.

Ainda em 2002, Ginóbili começaria sua empreitada na NBA ao assinar seu primeiro contrato com San Antonio, aos 25 anos de idade. Em sua primeira temporada, atuou como reserva (esteve em quadra apenas 5 partidas como titular) e teve médias de 7 pontos, 2 rebotes e 2 assistências por jogo. Nos playoffs, seus números tiveram uma leve melhora e sua presença se tornou essencial na rotação dos Spurs em todas as 24 partidas da pós-temporada. Sua evolução pessoal foi coroada com o título, tão esperado pela equipe de San Antonio.

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Ginóbili comemorando a histórica vitória sobre a seleção dos EUA na semifinal das Olimpíadas de Atenas (Foto: Lucy Nicholson/Reuters).

Em 2004, o atleta conquistou sua maior glória internacional. Nas Olimpíadas de Atenas, a Argentina surpreendeu o mundo ao derrotar a seleção norte-americana, de Allen Iverson e Tim Duncan, nas semifinais. Ginóbili, é claro, teve grande parte na vitória, ao marcar 29 pontos. Seu país faturaria a medalha de ouro na final. A conquista foi a maior da seleção argentina e o grupo ficou conhecido como a La Generación Dorada.

Ao longo dos anos, Manu provou seu valor através de um estilo de jogo único, de sua competitividade e determinação. Mas talvez seu maior ato venha da lealdade à San Antonio. Já como jogador de nível All-Star, o argentino aceitou ajudar a equipe vindo do banco, na rotação, como sexto homem.

E Ginóbili sabia que isso lhe custaria conquistas individuais. Manu foi selecionado como All-Star apenas duas vezes (2005 e 2011) e considerado o melhor 6º homem em apenas uma oportunidade (2008). O hermano também é apenas o 187º colocado no ranking de pontos totais na carreira, somando um total de 13.467 pontos. Entretanto, os minutos reduzidos em quadra acabaram ajudando a preservar seu corpo do próprio estilo de jogo, por vezes extremamente intenso.

Por outro lado, esse “sacrifício” serviu para a construção e manutenção da dinastia dos Spurs, antes moldada em torno de Tim Duncan. Com a aposentadoria do ídolo, Kawhi Leonard assumiu a função de líder da equipe. Ainda assim, mesmo depois de todo esse tempo e das mudanças que se seguiram, Ginóbili continua sendo o 6º homem indispensável de San Antonio.

Em 2013, uma das maiores adversidades. Após estarem liderando as finais por 3 a 2 contra o Miami Heat de LeBron James, Dwayne Wade e Chris Bosh, os Spurs acabaram perdendo a vantagem e o título. No jogo 6, momento em que poderiam ter fechado a série, Ginóbili acabou cometendo 8 turnovers cruciais na derrota.

Depois de um final desolador tanto para a equipe, quanto para a torcida, o craque e San Antonio voltaram para a temporada seguinte com o mesmo objetivo. E conseguiram se recompor. Na temporada regular, um recorde de 62 vitórias e 20 derrotas. Nos playoffs passaram por Mavericks, Trail Blazers e Thunder. Nas finais, o mesmo Heat do ano anterior. Vitória imponente por 4 a 1 para levantar o caneco outra vez. Era o 4º anel de Manu.

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Momento exato do toco em cima de James Harden (Eric Gay/AP Photo).

Na última terça-feira (09/05), Ginóbili provou mais uma vez seu valor em uma atuação mágica contra o Houston Rockets. Sem Tim Duncan, aposentado, Tony Parker lesionado e Kawhi Leonard, no banco com dores, coube ao argentino o que mais se espera dele: liderança. Foram 12 pontos, 7 rebotes, 5 assistências e um toco lendário em James Harden, no último lance da partida, garantindo a vitória de SAS no jogo 5.

Sobre o toco? Com sua equipe vencendo por três pontos, quem mais no mundo tentaria uma jogada tão arriscada em cima de um dos maiores cavadores de falta da atualidade? Eu não teria coragem. Afinal, James Harden é dono de um aproveitamento de 85% na linha dos lances livres.

Foram cenas memoráveis, que não acontecem com tanta regularidade. Ver um senhor jogador, no auge dos 39 anos, enterrando como nos tempos áureos de sua juventude e jogando com alegria e com intensidade não tem preço.

Mas esse é o estilo de Ginóbili. E é com ele que os Spurs ainda contam para o encontro de hoje no Toyota Center, válido pelo jogo 6 contra os Rockets, em que uma vitória pode sacramentar a ida de San Antonio às finais da Conferência Oeste.

Com o contrato de um ano chegando ao final, ainda é impossível saber o destino de Manu na NBA. Mas o que sabemos é que se dependesse de Gregg Popovich, Tim Duncan, Tony Parker, Kawhi Leonard, do elenco e de toda a torcida de San Antonio, da torcida Argentina, de mim – humilde escritor – e de quem ama o basquete, essa data nunca chegaria.

Manu, fique o quanto quiser.

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Felipe Coelho

Felipe Coelho

Apaixonado por esportes e por redação desde pequeno, demorou a perceber que poderia unir essas duas paixões como forma de viver e se expressar. Se jogou de cabeça relativamente tarde no basquete, mas a partir daí não parou mais. Até se esforça na hora da pelada, mas a habilidade só existe nos videogames mesmo. Nerd de carteirinha, coleciona milhares de horas na Steam. Football Manager player since 2005.



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