O maior terror dos colchoneros

O maior terror dos colchoneros

Foto: Real Madrid/ divulgação

Real Madrid passeia em cima de um Atlético de Madrid apático, em noite iluminada de Cristiano Ronaldo

A expectativa era de um jogo pegado, duro e equilibrado pelas semifinais da Champions League no Bernabéu. Mas não foi o que aconteceu: praticamente apenas um time buscou jogo, atacou e defendeu-se bem. Em suma, apenas um time jogou. E ele vestia branco.

O jogo

No início, o Atlético de Madrid até conseguia fazer valer sua proposta atrapalhando uma melhor transição ofensiva do Madrid, mas passados poucos minutos, os merengues já conseguiam atacar com mais facilidade. Prova disso veio aos 6′: Carvajal avançou pela direita e fez boa tabela com Isco dentro da grande área, o lateral deu um “come” em Godin e chutou de trivela, Oblak deu rebote e a bola bateu em Benzema antes de tocar mais uma vez no goleiro esloveno e ir para escanteio. O gol não demoraria a sair: 3 minutos depois, Ramos pegou rebote de escanteio e cruzou para a área, a zaga colchonera afastou, Casemiro emendou cruzamento de primeira para ELE, Cristiano Ronaldo, subir mais que Savic e cabecear bonito para o gol. Real Madrid 1×0.

O que se viu após o gol merengue foi um Real cada vez mais dominador das ações do jogo e pressionando o Atlético. O time visitante até chegaria assustar em bola enfiada de Koke à Gameiro em que o francês saiu de cara para o gol, mas foi bloqueado pelo goleiro Navas. Aos 28′, após boa jogada e cruzamento de Cristiano, Benzema emendou uma pancada. A bola subiu um pouco mais e foi para fora. Os colchoneros ainda finalizariam uma segunda vez com perigo no primeiro tempo: aos 31′, em cobrança de falta de Griezmann para a área que Godin chutou por cima da meta merengue. Um gol àquela altura poderia ter mudado tudo, mas o placar foi ao intervalo dando vantagem ao time da casa.

Na volta ao segundo tempo, Nacho começou no lugar de Carvajal no escrete blanco após o camisa 2 sentir dores. O Real perderia muita presença ofensiva na ala direita, mas em compensação conseguiria bloquear mais efetivamente Carrasco e Filipe Luís. O Atlético também mudaria aos 11′ mandando a campo Gaitán no lugar de Saúl (em péssima noite) e Fernando Torres no lugar de Gameiro.

As trocas de Simeone não seriam muito efetivas em mudar o panorama do jogo, ao contrário das de Zidane: para compensar a falta de agressividade pela direita, Zizou colocou Asensio no lugar de Isco e abriu o time em um 4-4-2 com o camisa 20 pela esquerda, ajudando Marcelo e focando a maioria das jogadas ofensivas por aquele lado. E justamente dali veio o segundo gol: Marcelo lançou para Benzema, que fez bem o pivô e passou para Cristiano Ronaldo. A bola antes resvalou em Filipe Luís e subiu, quicou e o português chutou de primeira para ampliar o placar. Golaço. Real Madrid 2×0.

Já apático, o Atlético parecia ter sucumbido de vez, completamente dominado pelo arquirrival. Achar um gol e/ou  não sofrer mais nenhum seria de bom tamanho. Mas o que está ruim iria ficar ainda pior. Ainda mais se você tiver como adversário Cristiano Ronaldo: o gajo puxou ataque pela direita, deixou com Vázquez (que havia entrado no lugar de Benzema), que avançou até a linha de fundo e cruzou rasteiro, Casemiro puxou a marcação e fez o corta-luz para o CR7 parar a bola livre de marcação e de frente para o gol. Desse jeito ele não costuma perder. Real Madrid 3×0 e com um pé na final.

Um Atlético de Madrid irreconhecível em campo

O placar refletiu bem o que foi o jogo, o Atlético foi completamente subjugado em todas as partes do campo: a defesa, ponto forte do time de Simeone, se perdeu na marcação a Ronaldo e Benzema. Seu melhor zagueiro foi sinônimo disso. Godin ficou perdido no corte de Carvajal em um lance de perigo aos 6 minutos, deixou Benzema fazer o pivô sobre ele no segundo gol e perdeu feio na disputa com Vázquez no lance do terceiro. Savic também sofreu bastante na marcação ao melhor do mundo. As alas foram inoperantes diante do volume de jogo dos laterais do Real, Marcelo e Carvajal fizeram Lucas Hernández e Filipe Luís sofrerem. O ataque colchonero foi nulo, com Griezmann e Gameiro em partidas apagadíssimas não chegando a dar um mísero chute certo ao gol.

O meio de campo do Atleti com Saúl, Koke, Gabi e Carrasco foi dominado pela fluidez e movimentação de Casemiro, Isco, Modric e Kroos. O alemão, aliás, fez uma de suas melhores partidas pelo time merengue, distribuindo as bolas como ninguém, virando o jogo quando necessário e sempre dando passes certos e corretos (porque sim, existe uma diferença entre um e outro).

Mas os holofotes vão com todos os méritos para Cristiano Ronaldo. O jogador que após fazer apenas 2 gols em 8 partidas – mas dando 6 assistências, diga-se – da Liga dos Campeões enfrentava acusações de “acabado”. O português, agora, deu uma bela reviravolta na sua temporada fazendo 8 em apenas 3 jogos, se tornando vice artilheiro da UCL dessa temporada, atrás apenas do já eliminado Messi. Um verdadeiro quebrador de recordes*, vai mostrando todo seu talento e poder decisivo justamente na parte mais importante da temporada madridista. Um monstro.

Dono da bola e do jogo (Foto: Real Madrid)

O duro jogo de volta e o pesadelo do Atlético

A classificação, é claro, ainda não está resolvida. O jogo de volta será num lotado Vicente Calderón, que vive seus últimos dias de noite europeia. O sentimento de despedida do estádio pode fazer com que os jogadores do Atlético recuperem a garra e vontade que lhe são características e não entrem apáticos como entraram na partida de ontem. Se a classificação não vier, no mínimo um jogo mais digno que esse é o que se espera da equipe colchonera.

Se a nível nacional a época de freguesia no derby de Madrid é coisa do passado, na Champions League o trauma do Atlético com o Real é grande. Derrotado 3 vezes seguidas pelo maior rival (2 delas em finais) e caminhando para uma quarta. Se das outras vezes podia-se relevar os resultados, tendo em conta que as derrotas aconteceram em situações atípicas de jogo – como levar gol aos 93 e enfrentar prorrogação com metade do time acabado fisicamente – ou em jogos apertados – como foram a eliminação nas quartas em 2015 e na final do ano passado, só resolvida em penais -, hoje o que se viu foi um time apático e submisso ao controle do Real Madrid, praticamente uma assinatura de atestado de freguesia por parte do Atlético.

Sempre que a equipe de Simeone parece pronta a dar o próximo passo, o time blanco se mostra como um degrau inalcançável, impedindo uma mudança de patamar por parte da equipe atleticana. Quando se enfrentam numa noite europeia, o Atlético percebe que o Real Madrid é tudo e um tanto mais do que quer ser, percebe a verdadeira diferença entre eles. E é aí que o time trava. Todas as memórias dos anos sendo puro saco de pancadas merengue voltam à tona e tudo de improvável acontece contra o Atléti: de gols no estouro dos acréscimos, passando por Chicharito Hernandéz a tomar pela segunda vez numa final um gol de um mesmo zagueiro, e ainda ver seu goleiro resolver não pular para nenhum lado numa cobrança de pênaltis.

No mar de sonhos que é a passagem de Simeone pelo Atlético de Madrid, o Real é o seu pior pesadelo. E Cristiano Ronaldo, com 3 hat-tricks e 21 gols no geral contra os colchoneros , seu Freddy Krueger português.

*Alguns dos recordes alcançados ou alargados pelo gajo hoje:

Maior artilheiro da UCL com 103 gols (106 em competições UEFA de clubes).

Jogador com mais gols em mata-matas da Champions, com 52.

Jogador com mais gols em semifinais de Champions, com 13.

Jogador com mais hat-tricks em Champions League, com 7 (empatado com Messi).

Único jogador a marcar dois hat-tricks consecutivamente pela Champions League.

Jogador com mais gols de cabeça na história da Champions, com 18.

Maior artilheiro do derby de Madri, com 21 gols.

Matheus Wesley

Matheus Wesley

Aspirante a jornalista e apaixonado por futebol onde se parlla e onde se habla. Fã de tática e da história desse esporte incrível. Considera Zizou a síntese do "jogo bonito" e acha os desarmes de Cannavaro, Baresi e Maldini uma obra-prima tão bela quanto qualquer gol. Twitter: @Matheus11Wesley



Related Articles

Bem-vinda, Premier League #1: O fundo do poço?

Newcastle, o campeão da última Championship, sobe para onde não deveria ter saído – e com muita sede de vitórias

Em jogo cheio de reviravoltas, Dortmund vence Bayern mesmo fora de casa e está na final da Copa da Alemanha

Dembelé comemora muito o gol da vitória do BVB (Foto: Reuters) Em partida com duas viradas, chances incríveis e golaços,

Raio-X: O gigante e o franco-atirador

Papéis invertidos nas oitavas europeias: o azarão Leicester segue na luta pela Champions, enquanto o gigante United briga pela Europa League

No comments

Write a comment
No Comments Yet! You can be first to comment this post!

Write a Comment

Your e-mail address will not be published.
Required fields are marked*

error: Couteúdo protegido