John John Florence, a promessa e a entrega

John John Florence, a promessa e a entrega

Foto: Rafael Marchante/Reuters

Do início tímido na elite até a consagração no topo do ranking mundial.

Um menino tranquilo, dourado de sol, surfista local do maior pico do esporte. Nascido para ser campeão mundial. Poderia ter sido em casa, em Pipeline? Claro. Poderia ter sido mais cedo? Também. Mas foi na inesperada hora certa. Talvez a pressão de ser o melhor tenha atrapalhado JJ assim que subiu pro CT , ou talvez ele estivesse despreocupado porque não sentia a tal pressão, afinal, ochampsó queria se divertir. E sem dúvidas, o topo é a maior diversão que já teve. 

Aos 10 anos, JJ viu Andy Irons (seu conterrâneo) costurar 3 títulos seguidos no Mundial (2002, 2003, 2004) e ainda levar a Tríplice Coroa Havaiana 4 vezes (2002, 2003, 2005, 2006). Assistir alguém tão próximo de sua realidade conquistar esses feitos, no mínimo, o inspirou e talvez tenha o levado a sonhar em chegar ao topo durante muitas noites de sono. Tendo sido notado no North Shore desde cedo, a tendência era que tivesse um certo “estrelismo “, mas mesmo quando se espera algo bom de JJ, ele surpreende fazendo melhor.

Em 2012, John John venceu o Billabong Rio Pro e conseguiu o 4º lugar entre os melhores no fim da World Tour, seu estilo de encarar as ondas o levou ao 10ª lugar em 2013. No ano seguinte ele chegaria mais perto somente para ver Gabriel Medina, com 20 anos de idade, vencer 3 etapas do mundial e ser coroado no fim da temporada. Aquele CT foi de Medina, mas JJ também tinha alcançado sua melhor colocação até então: 3ª no ranking. Em 2015 o havaiano sofreu uma contusão no Rio, perdeu duas etapas e não ostentou seus melhores resultados terminando em 14º no CT. O que não dava pra saber, ainda, era que ele não leva caldo: o mar de Florence tem um trampolim no fundo.

Em 2016, três vezes 13º lugar nas etapas em Bells Beach, Margaret River e Trestles, duas vezes 5º lugar em Gold Coast e Namotu, 3º colocado em Nouvelle-Aquitaine, duas vezes 2º em Jeffreys Bay e Teahupoo e dois 1º lugar no Rio e em Portugal. Florence não passou a temporada absoluto, afinal, o que faz o CT é justamente o alto nível dos competidores, e assistir ele vencer antes mesmo do fim da temporada é uma prova incontestável da sua habilidade.

John John encontra seu destino em Portugal

Foto: Cestari/ WSL

Peniche, a praia dos supertubos, foi palco do maior espetáculo da carreira de JJ. O primeiro heat daquela semifinal começou com Kolohe Andino caindo no drop, em seguida John John entra num tubo, sai e perde o equilibrio. Naquela altura do campeonato, Florence já tinha o maior somatório de pontos, mas ainda faltava passar por Kolohe e esperar uma combinação de resultados dos próximos competidores, e só então, tudo faria sentido.

O sucessor de Adriano de Souza assegurou o mundial derrotando o norte americano com 13,84 contra 8,47 do oponente e assistindo Conner Coffin passar por cima de Jordy Smith na bateria seguinte. E pra brindar o título mundial, Florence ainda conquistou o MEO Rip Curl Pro Portugal numa disputa equilibrada com o amigo Coffin (15,00 a 14,37). O sonho de ser campeão mundial no Havaí foi trocado pelo alívio de triunfar antecipadamente em Peniche e na etapa final poder surfar suas ondas favoritas, em casa e sem preocupações.

Em sete dias Florence volta ao Brasil para defender ser título no Oi Rio Pro, em Saquarema. Com a tranquilidade de estar no topo do ranking mesmo com a vitória de Jordy Smith em Bells Beach, o homem a ser batido sabe que ainda tem muito pra entregar. Todos sabemos, e esperamos.

No CT 2016, John John reclamou a posição que o esporte tinha reservado pra ele: a de campeão. Até mesmo um leigo no assunto consegue enxergar que nem um pouco do que Florence surfa, é sorte, mas talento. Uma competência que foi moldada desde os seus primeiros anos de vida. A trajetória do atual campeão deixa claro que não havia outra alternativa: aquele menino tinha que ir pro mar. Acreditando nele ou não, o destino fez seu dever de casa.

Izabelle Souza

Izabelle Souza

Estudante de Publicidade, 20 anos, nascida e criada entre Niterói e São Gonçalo. A criança que queria correr na F1, mas acabou nadando até chegar na praia. E ainda bem que chegou! Da areia, não conseguiu evitar se apaixonar pelo surf. Da vida, não foi capaz de separar o trabalho do esporte.



Related Articles

Margaret River Pro: campeões caindo e zebras surfando

Jacob Willcox elimina Medina na repescagem (Foto: Divulgação/WSL) Dois palcos, surpresas e muito surf nos primeiros dias de competição. Como uma pintura.

Rip Curl Pro: Filipinho está querendo tocar o sino

Wilkinson triunfou no ano passado. Quem vai tocar o sino dessa vez? (Foto: Divulgação/WSL) Brasil continua representado na disputa com

John John vence em Margaret River com performance épica

Foto: A maior promessa (ou realidade) do surf destruiu em Margaret River (Foto: Divulgação/ WSL) O havaiano deu show e

No comments

Write a comment
No Comments Yet! You can be first to comment this post!

Write a Comment

Your e-mail address will not be published.
Required fields are marked*

error: Couteúdo protegido