Em jogo cheio de reviravoltas, Dortmund vence Bayern mesmo fora de casa e está na final da Copa da Alemanha

Em jogo cheio de reviravoltas, Dortmund vence Bayern mesmo fora de casa e está na final da Copa da Alemanha

Dembelé comemora muito o gol da vitória do BVB (Foto: Reuters)

Em partida com duas viradas, chances incríveis e golaços, os aurinegros levaram a melhor sobre os rivais da Baviera. Equipe enfrentará o Frankfurt na decisão

Muitos pensam que jogar em casa pode significar uma certa vantagem em confrontos de mata-mata, mas o confronto entre Bayern e Borussia, válido pela semifinal da Copa da Alemanha, provou que nem sempre essa lógica é verdadeira. Em um clássico cheio de emoções. duas viradas, herois e lances curiosos marcaram a vitória dos visitantes por 3 a 2, complicando ainda mais a vida do Bayern sob o comando de Ancelotti. A RISE Esportes traz um resumo do que de melhor aconteceu na partida. Confira!

Allianz Arena – Bayern de Munique 2 x 3 Borussia Dortmund

Primeiro tempo

O jogo entre as duas maiores potências do futebol alemão aconteceu depois da partida entre Gladbach e Frankfurt, mas merece ser o destaque inicial pelas circunstâncias. Ambas as equipes não pouparam esforços e escalaram força máxima para o duelo, que começou quente. Logo aos três minutos, uma bola esticada encontrou a joia portuguesa Raphael Guerreiro, que cruzou para Aubameyang. Apesar de toda sua velocidade, o gabonês não conseguiu dar direção ao carrinho, que saiu pela linha de fundo.

O problema para os aurinegros foi que o lance inicial parece ter sido apenas um sinal de criatividade repentina. Nos minutos seguintes, foram os bávaros que tomaram as rédeas da partida, com duas chances claras perdidas por Thiago, uma em cobrança de escanteio e outra em rebote de Bürki após finalização de Ribéry, que passou rente a trave do Borussia.

No entanto, uma partida composta por tantas reviravoltas teve a sua primeira aos 18 minutos. O zagueiro Javi Martínez tinha bola dominada na defesa e tentou recuar para Ulreich, mas não contava com a astúcia de Raphael Guerreiro, que estava na área. O português tocou quando o arqueiro alemão saía, mas a zaga do Bayern conseguiu afastar milagrosamente, com a bola parando na trave. O problema é que, no rebote, não teve jeito: Reus estava lá para conferir e só teve o trabalho de empurrar para o fundo do gol. Um a zero para o Dortmund em um gol surpreendente.

Marco Reus celebra gol do Dortmund em momento complicado (Foto: Reuters)

Depois do gol, a partida ficou mais morna. Um momento de discussão se deu em um carrinho de Dembelé em Ribery, que foi na bola, mas que para o árbitro da partida foi faltoso. A falta não deu em nada, mas foi o embrião para mais uma recuperação no dia: desta vez a de Javi Martinez. Em cobrança de escanteio, o espanhol subiu entre os zagueiros da equipe visitante e testou firme. A bola ainda passou por debaixo das pernas de Burki, que nada pôde fazer. Placar empatado na Allianz Arena e muita festa por parte do zagueiro.

Aos 31 da etapa inicial, outro lance chamou muita atenção. O sempre matador Lewandowski se viu sozinho diante do goleiro do Dortmund e tocou para o gol, pronto para comemorar. Ele só não esperava pela aparição repentina de Bender, que chegou como um raio e evitou gol certo dos donos da casa, em lance curioso. Este não seria o único da partida, mas isso é papo para o segundo tempo. Fato é que a artilharia defensiva dos bávaros continuou em um ritmo alucinante. Aos 37, Javi Martinez quase fez seu segundo gol na partida, mas parou na trave. Contudo, quem assumiu o protagonismo e compensou a chance perdida por Lewandowski foi o consistente Hummels, que provou que a “lei do ex” está mais viva do que nunca. Três minutos depois da bola na trave, Ribéry deu um lindo passe com a parte externa do pé e achou o defensor como elemento surpresa na área. Depois, foi só comemorar: dois a um e situação confortável no intervalo.

Segundo tempo

No intervalo, Thomas Tuchel fez sua primeira alteração e colocou o lateral Durm no lugar de Gonzalo Castro, fazendo uma leve mudança no esquema tático da equipe. O problema é que, ao menos nos primeiros quinze minutos, a troca não adiantou muito. Lewandowski quase ampliou a vantagem e mudou a história do jogo logo no primeiro minuto; aos 12, foi a vez de Robben finalizar e Burki salvar.

Apesar disso, a chance mais inacreditável aconteceu aos 18: a zaga do Borussia Dortmund entregou a bola dentro da grande área, deixando o goleiro em perigo. Thiago rolou para Lewandowski, que descobriu Robben. O holandês estava com bom ângulo para finalizar, mas novamente Bender foi heroico e evitou o gol. Detalhe: a bola ainda tocou na trave.

Certa vez, o grande Rocky Balboa mencionou uma frase histórica: “Não importa o quanto você bate, mas sim o quanto aguenta apanhar e continuar. O quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha”. Pois foi exatamente este ensinamento que o Dortmund adotou após tantas chances perdidas. E como um típico herói do cinema, apanhou, apanhou e, de repente, encontrou um golpe que atordoou o adversário. No caso, o herói tem nome e sobrenome: Pierre-Emerick Aubameyang. O atacante recebeu bonito cruzamento de Dembelé e testou para o gol. Ironicamente, Auba é conhecido pela torcida do BVB como Batman. Coisas da vida.

E quem disse que a reação aurinegra havia parado por aí se enganou profundamente. Apenas cinco minutos separaram o heroísmo de Aubameyang da obra de arte assinada por Dembelé, que foi muito bem na partida. Além de tudo, o menino mostrou que também tem estrela. Depois de bonita troca de passes da sua equipe, a bola caiu em seus pés depois de passe de Raphael Guerreiro. Na sequência, um lindo corte e uma finalização certeira, no ângulo, deixando Ulreich sem reação. E se formou a reviravolta mais impensável: era a virada do Borussia, dentro da casa do Bayern.

Depois da virada dos visitantes, as duas equipes mexeram e o Bayern acabou esbarrando no sistema defensivo do adversário. Quem conseguiu se sobressair foi Robben, que criou duas boas chances e levou perigo à meta aurinegra. De qualquer forma, os bávaros tentaram uma pressão final do jeito que deu, mas sem sucesso.

Valente, o Dortmund segurou o placar e pôde comemorar a classificação para a final, a quarta consecutiva. A expectativa do Borussia é de conseguir o título, que ficou no quase nas últimas três temporadas – duas das derrotas foram para o Bayern. Para a equipe da Baviera, fica o sentimento de frustração. Sobrou apenas o título da Bundesliga, representando um fim de temporada melancólico para a equipe de Carlo Ancelotti, que apresentou um dos melhores estilos de jogo do mundo na primeira metade dos torneios que disputou.

O adversário na final – Eintracht Frankfurt

Frankfurt comemora vitória nos pênaltis: equipe enfrenta o Dortmund na final (Foto: Bongarts/Getty Images)

Se a partida entre Dortmund e Bayern era equilibrada no papel, o mesmo pode ser dito do confronto entre Gladbach e Frankfurt, na outra chave da semifinal. As duas equipes ocupam posições intermediárias na tabela da Bundesliga – apesar disso, vale citar que o Frankfurt já chegou a brigar por título e o Gladbach vem de sequência negativa.

O jogo foi tenso, mas quem tomou a iniciativa do confronto foi o Frankfurt, mesmo jogando fora de casa. Prova disso é que em uma das primeiras chegadas, Taleb Tawatha abriu o placar, aos 15 minutos. Depois do gol, o Franfkurt ainda manteve o controle da situação, mas viu o Gladbach empatar com Hofmann, em uma bela jogada coletiva. O gol saiu em uma péssima hora para os visitantes, que foram para o intervalo com o placar igualado.

Depois de um primeiro tempo agitado, as equipes não foram capazes de manter o nível de criatividade e de precisão nas finalizações. Foram necessários 120 minutos para ver se alguma das equipes conseguiria alterar o placar mais uma vez, mas isso não foi possível. Sem uma decisão com a bola rolando, o jeito foi partir para os pênaltis.

Nas penalidades, todos os jogadores marcaram seus gols, fechando o placar em 5 a 5 e mandando a disputa para as cobranças alternadas. Quando o placar apontava 6 a 6, Hradecky, arqueiro do Frankfurt, evitou o gol de Christensen; apesar disso, ainda não era hora de comemorar: Sommer foi decisivo e também defendeu o chute de Varela. Apesar disso, o goleiro tcheco foi gigante e evitou novo gol, dessa vez de Sow. Coube a Hrgota ser o herói da partida e marcar o gol que finalizou o confronto. 7 a 6 nos pênaltis para o Eintracht Frankfurt. A decisão será a primeira da equipe em onze anos, quando perdeu por 1 a 0 para o Bayern.

Breno Peçanha

Breno Peçanha

Natural de São Gonçalo, estudante de jornalismo na UFF e estagiário do Globoesporte.com. Vascaíno fanático e torcedor do Leeds United em solo europeu, além de simpatizar com o St. Pauli na Alemanha. Uma das coisas que mais gosto é ler e contar histórias do futebol que pouca gente conhece, especialmente se der para colocar humor. Introvertido, apesar de tudo.



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