Sete atos em Munique: Como o Bayern sucumbiu diante da inteligência do Real Madrid de Zidane

Sete atos em Munique: Como o Bayern sucumbiu diante da  inteligência do Real Madrid de Zidane
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Foto: Sven Hoppe (AP)

A equipe bávara começou melhor e teve a chance de matar o confronto na ida, mas uma alteração do treinador dos Merengues durante o intervalo fez a diferença.

Qualquer fã de futebol estava esperando pelo confronto entre Bayern e Real Madrid, que ocorreu na quarta-feira em Munique. Obviamente, já tivemos jogos melhores nesta edição de Champions League – como o épico 6 a 1 do Barcelona diante do Paris Saint Germain – mas ainda assim a partida foi cheia de nuances interessantes. No fim, quem levou a melhor foi a equipe Merengue, que bateu os bávaros por 2 a 1, com os dois gols de Cristiano Ronaldo. A equipe alemã até jogou bem, mas sete atos mudaram os rumos da partida e a RISE Esportes explica quais foram estas ações.

1. Lewandowski fora

O primeiro fato digno de nota aconteceu antes de a bola rolar: o atacante polonês Robert Lewandowski, titular absoluto da equipe, sofreu uma lesão no ombro na partida contra o Borussia Dortmund e não ficou nem no banco de reservas. O responsável por comandar o setor ofensivo na partida foi Muller, mas com características diferentes de Lewa, a mudança fez com que o Bayern encontrasse dificuldades para criar chances no começo da partida. Por conta disso, a equipe da Baviera ficou com a maior parte da posse de bola nos 15 minutos iniciais, mas pouco criou – o mesmo pode ser dito do Real Madrid.

2. A bola parada aparece

Às vezes, se pelo chão está ruim, a melhor alternativa é tentar pelo alto. Depois dos 15 minutos modorrentos, por muito pouco a equipe espanhola não abriu o placar na testada de Benzema, que parou no travessão. Experiente, a equipe alemã não se sentiu acuada e partiu para cima com direito a uma finalização perigosa de Alaba. No sétimo escanteio do Bayern na partida, Xabi Alonso, até então cobrador, deixou a responsabilidade da bola parada para Robben. A estratégia deu certo: o chileno Vidal se deslocou, deixou o zagueiro Nacho na saudade e mandou uma bomba de cabeça para o gol, abrindo o placar na Allianz Arena.

3. Pênalti que não é não entra?

Parece que o toma lá, dá cá foi mesmo a tônica do jogo. A temperatura que havia subido após o gol do Bayern ficou morna novamente nos minutos seguintes, mas bastou o Bayern tentar se engraçar e o jogo ganhou em emoção novamente. Depois de boa chance de Vidal (sempre ele), o Real chegou duas vezes, com Ronaldo e Kroos. No entanto, na situação inversa, os bávaros deram sorte, acharam o gol e dessa vez provaram que o raio cai duas vezes no mesmo lugar com um pênalti muito mal marcado após suposto toque no braço. O problema é que, como já diz o ditado, “Quando a esmola é demais, o santo desconfia”. Vidal não desconfiou e partiu com a confiança de um menino jogando bola na rua, mas pagou pelo excesso e isolou.

4. Mudança tática de Zidane tem efeito imediato

Com o término do primeiro tempo de forma positiva para o Real, Zidane viu a necessidade de mexer na equipe. Apesar de contar com algumas boas opções no banco como James Rodriguez e Marco Asensio (que foram utilizados posteriormente na partida), o francês preferiu não mexer na equipe e fez uma opção simples: tirou Cristiano Ronaldo da ponta esquerda e o posicionou mais centralizado, fazendo uma espécie de dupla de ataque com Benzema. A mudança se provou vital.

5. A fera ressurge: o 99º de CR7

Estavam jogados apenas dois minutos da etapa final quando Casemiro mostrou que não é apenas um volante marcador e achou Carvajal livre na direita com um lindo passe. Na fração de segundo entre o recebimento do passe e o cruzamento, a movimentação de Benzema e Cristiano Ronaldo chamou atenção: os dois estavam praticamente na mesma faixa de campo, mas a percepção do português e seu consequente deslocamento foram mais do que suficientes para confundir a zaga alemã – que foi pega de surpresa. O resultado: cruzamento certeiro e finalização de primeira do craque, que marcou o gol de empate e mudou completamente o panorama da partida.

6. Expulsão de Javi Martinez também tem dedo de Zidane

Uma partida se ganha nos pequenos detalhes e foi essa a percepção que Zizou teve ao fazer a mudança no intervalo. Apesar de não estar no auge da sua forma técnica e física, Cristiano Ronaldo acabou confrontando o zagueiro Javi Martinez por ter sido deslocado para o meio na segunda etapa e conseguiu se impor sobre o espanhol. Aos onze minutos, falta boba no meio de campo e o cartão amarelo. Duzentos e quarenta segundos depois, outra falta boba no meio e a expulsão. Ambas em cima do português. O Real jogou a isca e o Bayern mordeu direitinho.

7. Para a história: o 100º da lenda

Alguns minutos antes da expulsão, o Real já havia trocado Bale por Asensio para ganhar o meio campo, já que os espanhóis perderam uma parte da engrenagem na reposição com a mudança de posição de CR7. Depois da expulsão, o Bayern ainda tentou segurar a bola no ataque, mas começou a errar passes de três metros e se viu completamente envolvido pelo Madrid. Depois de inúmeras defesas de Neuer, que provou que é mesmo o melhor goleiro do mundo, os Merengues finalmente deram o golpe de misericórdia em mais uma jogada onde o português se antecipou aos zagueiros e venceu a muralha alemã. Foi o centésimo gol de Cristiano Ronaldo em competições europeias, o 98º na Champions League. Um recorde absoluto.

O Real ainda chegou mais algumas vezes ao ataque e teve dois gols (bem) anulados, mas não conseguiu aproveitar a superioridade numérica para marcar outros gols. Do outro lado, Ancelotti se viu perdido e tentou mexer no ataque com as entradas de Douglas Costa e Coman, mas ambos mal pegaram na bola. O resultado final foi amargo para o Bayern, que ficou com a sensação de que a partida poderia ter sido completamente diferente se Vidal desconfiasse da esmola dada.

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Breno Peçanha

Breno Peçanha

Natural de São Gonçalo, estudante de jornalismo na UFF e estagiário do Globoesporte.com. Vascaíno fanático e torcedor do Leeds United em solo europeu, além de simpatizar com o St. Pauli na Alemanha. Uma das coisas que mais gosto é ler e contar histórias do futebol que pouca gente conhece, especialmente se der para colocar humor. Introvertido, apesar de tudo.



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