NFL – Análise da temporada: New Orleans Saints

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Foto: Jeff Roberson/AP

Um grande ataque por conta de Drew Brees, mas uma defesa desastrosa; confira como foi a temporada do New Orleans Saints

Campanha em 2016: 7-9; terceiro lugar na NFC Sul

A vida do torcedor do New Orleans Saints parece estar num looping sem fim. Todo ano, há um bom tempo, Drew Brees continua em altíssimo nível lançando touchdowns para dar, vender, alugar e consignar. Porém, a falta de defesa continua alarmante e lamentável.

Pelo terceiro ano consecutivo os Saints terminaram com uma campanha de 7-9. O time parece estagnado e a defesa não mostra nenhum sinal de melhora. Exigir mais do ataque é impossível, já que Brees continua passando das 5 mil jardas mesmo com alvos “comuns”.

O quarterback alcançou impressionantes 70% de precisão nos passes, além de lançar 37 TDs. Apenas Matt Ryan (38) e Aaron Rodgers (40) lançaram mais touchdowns do que o camisa 9. Brees sofreu bem mais interceptações do que ambos, 15 a 7, mas isso pode ser explicado pelo ataque inferior, mais unilateral e sempre necessitado a correr atrás no placar.

Drew Brees teve mais uma temporada nível Brady/Rodgers/Brees (Foto: Gerald Hebert/AP)

New Orleans foi o melhor ataque em jardas totais e em jardas aéreas por jogo. No quesito pontuação, NO ficou em segundo, atrás apenas dos Falcons. A defesa, porém, é justamente o contrário. Segunda pior contra o passe e segunda que mais sofre pontos.

Com toda essa fraqueza defensiva, não é surpresa que New Orleans ceda os melhores ratings aos quarterbacks adversários. Isso é um problema principalmente quando, dentro da própria divisão, os Saints enfrentam duas vezes o MVP de 2015 (Cam Newton), o MVP de 2016 (Matt Ryan) e um dos QBs mais promissores dos últimos anos, Jameis Winston.

O que deu certo: Cameron Jordan em “O Lobo Solitário”

Dizer que Drew Brees teve uma temporada ótima é chover no molhado. Ninguém se surpreende mais com suas temporadas 5 mil jardas, mais de 30 TDs e 70% de aproveitamento de passe. Isso já é padrão Brady/Rodgers/Brees. Um nível diferenciado de quarterbacks.

O destaque então vai para alguém da defesa. “Ai, mas a defesa dos Saints é horrível”. Sim, é horrível. Mas sem Cameron Jordan seria pior, o cara joga praticamente sozinho. New Orleans foi a sexta pior equipe em derrubar o QB adversário. Foram 30 sacks em 2016, dos quais Jordan teve 7,5, um quarto do total. Nenhum outro jogador de NO passou de 1,5.

Cameron Jordan foi responsável por 25% dos sacks de New Orleans em 2016 (Foto: Bill Feig/AP)

No ataque quem mandou bem de novo foi Brandin Cooks. Pelo segundo ano consecutivo, o WR passou das 1000 jardas recebidas e anotou 8 TDs. Porém como Brees faz um ataque funcionar com qualquer peça, para 2017 os Saints trocaram Cooks pela escolha de primeira rodada dos Patriots no draft. Provavelmente para reforçar a defesa.

Mark Ingram foi outro destaque. Pela primeira vez o RB ultrapassou as 1000 jardas terrestres, além de anotar 6 TDs. O camisa 22 ainda conquistou 319 jardas e 4 TDs de recepção. Por outro lado, seu reserva, Tim Hightower deixou a equipe para jogar nos 49ers em 2017, após boa temporada nos Saints como running back 2.

O que deu errado: pra defesa ser ruim tem que melhorar muito ainda

Geralmente quando se fala em defesa ruim, é na maioria dos casos, problemas no setor. Ou a secundária, ou os linebackers ou a linha defensiva. Em New Orleans é problema de junta. Junta tudo e joga fora. Sim, o trocadilho foi horrível, mas calhou perfeitamente para ilustrar a defesa dos Saints.

Talvez a última área a se reforçar seja a de safety. Kenny Vaccaro foi mais prejudicado pela falta de companhia do que por incompetência própria. É um SS que pode ser útil e crescer numa defesa melhor.

A urgência mesmo é cornerback. Os rumores de Malcom Butler e Richard Sherman que começam a surgir nesse hiato de temporada não são à toa. Os Saints precisam de um playmaker na marcação dos WRs adversários. Com Delvin Breaux, Damian Swann, Sterling Moore e cia fica complicado.

Cameron Jordan também precisa de apoio para pressionar o QB adversário. Não adianta o DE fazer de tudo de um lado, se do outro não há qualquer ameaça de sack. O grupo de linebacker e defensive tackle também é fraco. Os Saints cederam 16 dos 19 TDs terrestres pelo meio da defesa, área dos ILB e DT.

Mesmo alguns degraus abaixo do desempenho de Jordan, Vaccaro foi o único a se salvar na secundária (Foto: Eric Christian Smith/AP)

Se o ataque fez 29,3 pontos por jogo, a defesa tomou 28,4. Enquanto o ataque conquistava 317 jardas aéreas, a defesa cedia 273,8 também pelo ar. A incapacidade da defesa em segurar o adversário força New Orleans a passar mais a bola para buscar o resultado (para o relógio correr menos). O que deixa o ataque dos Saints mais unilateral do que já tende a ser.

Saldo: mais negativo do que sua própria defesa

Drew Brees caminha para seus últimos anos de carreira. Para que o QB tenha mais chance de disputar outro Super Bowl, NO vai ter que se movimentar muito. Principalmente no draft, porque a franquia tem um cap bem limitado para contratações.

Tanto que os movimentos de free agency foram bem modestos. Alex Okafor, A.J. Klein e Manti Te’o devem melhorar a defesa, mas ainda estão longe do ideal. Os Saints precisam de sorte e competência no draft para ensaiar uma reação antes que Brees se aposente.

Por tudo que o QB já fez por New Orleans, ele merece uma defesa melhor. Merece mais do que outro ano de 7-9 e sem playoffs. A NFL e seus fãs precisam de mais uma pós-temporada de alto nível de Brees. Exceto torcedores de Bucs, Falcons e Panthers, naturalmente.

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Vinícius Mathias

Vinícius Mathias

Jornalista e ala-armador nas horas vagas. Sofre nas ligas americanas com Timberwolves, Jaguars, Sharks e Angels. Se arrepende por não ter escolhido o Seahawks. Chelsea e Alemanha trazem felicidade no futebol, pelo menos. Fã de Aaron Rodgers, Jimmie Johnson, Kevin Garnett, Kimi Räikkönen e de uma Heineken bem gelada.



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