NFL – Análise da temporada: Buffalo Bills

NFL – Análise da temporada: Buffalo Bills
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Infelizmente, essa é uma cena que o torcedor dos Bills se acostumou a ver (Foto: Patrick Smith/Getty Images)

Um time com pontos muitos fortes, pontos muitos fracos e uma seca que agora dura 17 anos; veja como foi a temporada do Buffalo Bills

Campanha em 2016: 7-9; terceiro lugar na AFC Leste

Mais um para a conta. Após ficar de novo pelo caminho, o Buffalo Bills acumula DEZESSETE anos sem chegar aos playoffs. O Toronto Blue Jays (da Major League Baseball) encerrou em 2016 uma jejum que durava desde 1993. Os Bills passaram então a ser os detentores da maior abstinência (desde 1999) de pós-temporada em atividade nas quatro grandes ligas americanas – NFL, NBA, NHL e MLB. A ausência é ainda a quinta maior na história da NFL. Redskins (1946-1970) e Cardinals (1949-1973) dividem o maior recorde negativo – foram 25 anos desaparecidos.

Mais uma vez Buffalo terminou com uma campanha intermediária, agora um 7-9. Nesses 17 anos de seca, os Bills venceram entre seis e nove jogos 14 vezes. Numa divisão em que os Patriots dominam há anos, resta brigar pelo wildcard. Para isso, geralmente é necessário pelo menos um 10-6 , que mesmo assim pode não ser suficiente – vide Jets em 2015.

As campanhas medianas sugerem que os Bills são um time “nem lá, nem cá”, mas a história não é bem assim. O time possui muitos extremos. O jogo terrestre é fantástico, mas o aéreo é fraco – e ficou ainda mais debilitado com as lesões de Sammy Watkins. A defesa contra o passe é ótima, mas a contra o jogo corrido é horrível. Dois para lá, dois para cá e mais uma vez a franquia ficou no limbo.

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Watkins jogou apenas metade da temporada dos Bills (Foto: Bill Wippert/AP)

LeSean McCoy, Stephon Gilmore e Lorenzo Alexander fizeram temporadas espetaculares. Com a grande atuação do trio aliada à um Tyrod Taylor sólido, os Bills escaparam de uma temporada pior do que se encaminhava após começarem 0-2.

O que deu certo: LeSean McCoy está de volta!

Após fazer uma temporada de estreia pelos Bills abaixo da média em 2015 por conta de lesão, McCoy veio com tudo para 2016. O running back correu para 1267 jardas (6ª melhor marca da liga) e 13 TDs. Foram impressionantes 5.4 jardas de média por corrida, sua melhor marca desde que entrou na NFL. Ezekiel Elliott e Le’Veon Bell, dois dos melhores e mais badalos RBs, conseguiram 5.1 e 4.9 de média, respectivamente.

O RB reserva Mike Gillislee e o QB Tyrod Taylor também ajudaram o ataque terrestre de Buffalo a ser o melhor da NFL em 2016. Foram 164.4 jardas por jogo, 29 TDs e uma média de 5.3 jardas por corrida (única franquia a passar de 5) – ambas melhores marcas da liga. Os Cowboys, segundo melhor ataque, tiveram 149.8 yards per game, 24 TDs e 4.8 jardas por corrida.

Além do explosivo ataque por terra, outra área do Buffalo Bills se destacou fortemente na NFL: a defesa por passe. Foram 223,9 jardas cedidas por jogo (6ª melhor marca), 19 TDs levados por ar (4ª), 39 sacks (8ª) e 59,9% de passes completos cedidos (4ª).

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McCoy liderou o melhor ataque terrestre da NFL em 2016 (Foto: Bill Wippert/AP)

O outside linebacker Lorenzo Alexander foi um verdadeiro monstro no pass rush, com 12.5 sacks (3ª melhor marca na NFL). Jerry Hughes ajudou com outros seis. O cornerback Stephon Gilmore praticamente anulou um lado do campo. Foram 17 passes defendidos, sendo 5 interceptações (5º na liga).

O que deu errado: pau que dá em Chico, dá em Francisco

O ataque terrestre e a defesa aérea dos Bills são muito bons. E o que é ruim? Justamente a defesa por terra e o ataque aéreo. Ou seja, Buffalo prova do seu próprio veneno contra seus adversários. Se ninguém para LeSean McCoy, a defesa também não para nenhum running back.

A defesa terrestre foi muito vazada, mesmo com Zach Brown e Preston Brown entre os seis que mais deram tackles na NFL, com 167 e 145, respectivamente. Até porque esses números são inflados pelo excesso de corrida usado contra os Bills e não significam, necessariamente, que o tackle tenha impedido grande avanço de jardas do adversário.

Buffalo foi a equipe que cedeu mais touchdowns terrestres. Os 21 ficam atrás apeanas dos 25 do San Francisco 49ers. Além disso, as 133.1 jardas cedidas por jogo foram a terceira pior marca da NFL, à frente apenas dos próprios 49ers e dos Browns. Os Bills ainda cederam quase metade de um first down a cada corrida, com 4.6 jardas de média por rush adversário (4ª pior marca).

O ataque aéreo é quase inútil. O que impressiona é que já há bom espaço para atuar devido ao poderio terrestre com LeSean McCoy. Com lesões de Sammy Watkins, o grupo limitado de recebedores foi mal. O “melhor” foi Robert Woods, mas o WR teve números fracos, como apenas UM TD. Foram 613 jardas, que além de ser apenas o número 71 na NFL, ainda ficou atrás de dois RBs (David Johnson e Le’Veon Bell).

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Conter o jogo terrestre adversário foi tarefa árdua para Buffalo (Foto: Adrian Kraus/AP)

Claro que Tyrod Taylor também tem culpa no cartório, afinal o QB foi apenas o 25º em conquistar jardas aéreas e não é o melhor exemplo de pocket passer. Porém, o camisa 5 cuida bem da bola (6 Int em 2015 e em 2016) e ajuda o jogo terrestre (QB com mais jardas e TDs por terra). E mesmo não sendo um exímio passador, Taylor fez Sammy Watkins alcançar 1000 jardas em 2015.

Antes de pensar em trocar de quarterback, os Bills precisam é de recebedores mais eficientes. Até porque dois dos três que tiveram desempenhos “melhores” em 2016 já partiram. Robert Woods foi para o Los Angeles Rams e Marquise Goodwin para o San Francisco 49ers.

Saldo: na mesma, como nos últimos 17 anos

É estranho e difícil imaginar que um torcedor de um time 7-9 esteja mais agoniado do que um de desempenho 1-15, 2-14, entre outros resultados pífios. Mas as seguidas temporadas na metade da tabela não ajudam em nada os Bills. Durante os 17 anos de estagnação, diversas franquias tiveram anos horríveis para depois se reerguerem.

Lógico que campanhas ruins seguidas não significam uma melhora futura – vide os últimos anos lamentáveis dos Jaguars. Por mais que Jacksonville pareça estar caminhando certo agora, ainda é uma incógnita. Mesmo assim, talvez sejam necessários anos piores para que os Bills tentem um rebuild, como os Browns. A demissão de Rex Ryan pode ter sido o pontapé inicial para uma mudança.

A reconstrução pode não funcionar, mas continuar no marasmo também não adianta em nada. Principalmente quando Buffalo está na mesma divisão dos Patriots de Tom Brady e Bill Belichick. O próprio New England já se reforçou para 2017 com Stephon Gilmore, cornerback destaque do próprio Bills. Os Bills precisam ousar para que a 18ª temporada não bata na porta.

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Vinícius Mathias

Vinícius Mathias

Jornalista e ala-armador nas horas vagas. Sofre nas ligas americanas com Timberwolves, Jaguars, Sharks e Angels. Se arrepende por não ter escolhido o Seahawks. Chelsea e Alemanha trazem felicidade no futebol, pelo menos. Fã de Aaron Rodgers, Jimmie Johnson, Kevin Garnett, Kimi Räikkönen e de uma Heineken bem gelada.



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