Deveríamos mesmo comemorar?

Deveríamos mesmo comemorar?
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Foi um empate feio de assistir, mas os jogadores celebraram como uma vitória (Foto: Paulo Fernandes/vasco.com.br)

Vasco conseguiu se fechar e segurar o empate contra o Flamengo, mas a comemoração foi excessiva em relação ao que a equipe mostrou em campo

O Clássico dos Milhões de ontem, apesar de representar para o Vasco um teste importante para a disputa pelo tricampeonato carioca, não foi levado tão à sério pela equipe. Talvez por não possuir valor algum em relação ao Estadual, a primeira semifinal da Taça Rio foi, em palavras claras, um jogo ridículo de assistir. Se é que podemos chamar de jogo uma partida que foi, em suma, uma coleção de faltas.

O clássico começou fraco e foi assim durante todo o primeiro tempo. Ambos os times tentavam produzir chances, mas não possuíam muita objetividade e não pareciam tão dispostos a tirar o zero do placar. A bola mal rolava, tamanho o número de faltas e paralisações no jogo. Foi uma primeira etapa difícil de se ver.

No segundo tempo, o Flamengo voltou um pouco melhor e começou a arriscar mais, ainda que as faltas das duas equipes continuassem excessivas. O rubro-negro precisava da vitória para ir à final e logo se viu obrigado a criar jogadas e forçar a defesa do Vasco a trabalhar. Após a parada técnica, aos 20 minutos, o cruzmaltino decidiu que a melhor estratégia seria segurar o empate para obter a classificação (como diria Rodrigo após a partida: “Jogamos com o regulamento embaixo do braço”). Os jogadores começaram a retardar os lances e a fazer o máximo de cera que conseguiam – até Martín Silva caiu no gramado simulando câimbras, para o desespero do rival. Com a bola rolando, o Vasco conseguiu se fechar e conter as tentativas do Flamengo durante o tempo restante do jogo. O zero a zero permaneceu e a partida terminou com o Vasco classificado para a final da Taça Rio.

Vasco e Flamengo fizeram um jogo truncado (Foto: Paulo Fernandes/vasco.com.br)

O empate foi um resultado justo se levarmos em conta o andamento do jogo: dois times limitadíssimos que criaram raras chances claras de finalização, cometeram muitas faltas e foram pouco objetivos. Ainda que o Flamengo tenha criado mais jogadas de ataque no segundo tempo, o Vasco foi capaz de se defender e conter todos os lances, o que também merece crédito. Como o placar dava vantagem ao Vasco, a noite terminou mais feliz para o cruzmaltino. Logo após o jogo, um clima de comemoração tomou conta do time – o que é normal –, mas a euforia subiu ao ponto de parecer que havíamos acabado de vencer o clássico.

Nenê se jogou nos braços da torcida e tirou selfies. O time inteiro se reuniu no centro do gramado. Os jogadores deram entrevistas com um ar superior que não fez jus ao que foi apresentado com a bola rolando. Tudo bem, a classificação pode e deve ser comemorada, o Vasco vinha passando por uma crise que ameaçava pôr em risco o restante da temporada e agora atravessa um momento mais tranquilo. Os jogadores merecem celebrar a ida à final. Mas ficou a sensação de que, em campo, o time ficou devendo. Milton Mendes declarou na coletiva de imprensa que o Vasco era capaz de ir mais além. A pergunta que fica é: por que, então, o Vasco não foi? Por que o time não levou a partida à sério, não fez dela uma oportunidade de mostrar resultado?

Há uma desconfiança, ainda que leve, pairando sobre o elenco do Vasco, sobretudo por conta das vitórias pouco convincentes e por placares apertados, além da falta de vitórias em clássicos. O jogo que nos serviria de teste terminou exatamente como esperávamos que não terminasse: com um Vasco recuado, sem perspectiva e ofensividade, apenas segurando o empate para se classificar. Uma pena que a equipe tenha saído de campo em um clima de oba-oba, comemorando como se tivesse acabado de golear o Flamengo. Fica a sensação de que ainda temos muito a melhorar se quisermos o tri.

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Raphaela Reis

Raphaela Reis

Estudante de publicidade, 19 anos, nascida e criada no Méier, subúrbio do Rio de Janeiro. Apaixonada por futebol e pelo Vasco desde criança, viciada em ler o caderno de esportes do jornal e desafiante oficial dos tios e primos no FIFA. Infelizmente não realizou a fantasia de se tornar a nova Marta, mas hoje busca nas palavras uma forma de se manter conectada ao mundo da bola.



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