Tênis na Memória: Maria Esther Bueno, a bailarina do tênis

Tênis na Memória: Maria Esther Bueno, a bailarina do tênis
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O Centro Olímpico de Tênis do Rio foi batizado com o nome de Maria Esther (Foto: Aquece Rio).

Com saque potente e muita classe, Maria Esther Bueno é não só a maior expoente do tênis brasileiro, como referência mundial no esporte

Nasceu, em 11 de outubro de 1939, Maria Esther Andion Bueno, ou simplesmente, Maria Bueno, como ficaria conhecida mundo afora a maior tenista brasileira de todos os tempos. A paulistana, de personalidade discreta e currículo exuberante, é detentora de 19 títulos de Grand Slam (os 4 abertos mais importantes do tênis), sendo 7 deles em simples e 12 em duplas. Não poderia ser outra a personagem da primeira edição do Tênis na Memória, na RISE Esportes.

Maria Esther, como era chamada quase que exclusivamente pelo ex-tenista francês, Philippe Chatrier, começou  a jogar tênis com apenas 4 anos de idade no extinto Clube de Regatas Tietê, em São Paulo. A paixão precoce pelo esporte veio por influência familiar. O pai, Pedro de Oliveira Bueno, grande remador na década de 40, praticou o tênis até os 85 anos e o irmão, Pedro, dois anos mais velho, já simulava desde a infância, finais de grandes torneios contra ela.

Tornou-se uma estrela do tênis muito jovem, mais precisamente no dia 4 de julho de 1959, ao derrotar a grandiosa americana Darlene Hard na quadra central do The All England Lawn Tennis Club e acabar com uma hegemonia de títulos estadunidenses de 21 anos seguidos. O feito da jovem Maria Bueno, de apenas 19 anos, ocorreu justamente no feriado que marca o aniversário da Declaração de Independência dos Estados Unidos, em 1776. Além do troféu de 59, ela conquistaria mais dois títulos em Wimbledon, um no ano seguinte e outro em 1964.

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Maria Esther em Wimbledon, onde disputou 11 finais na carreira (Foto: Hugo van Gelderen/Alefo)

Veja também o Tênis na Memória, sobre Chris Evert, 6 vezes campeã do US Open.

Ainda na década de 60, Maria Esther passou a trajar roupas confeccionadas pelo mais famoso designer de tênis da história, Ted Tinling. Com suas saias mais curtas e cores extravagantes, ela foi um símbolo em um período de maior autonomia das tenistas na escolha da vestimenta. Além disso, Maria adotou um corte de cabelo mais curto, o que fugia dos padrões da época e combinava muito bem com seu estilo de jogo sutil e, ao mesmo tempo, dominante.

A tenista brasileira é mundialmente reconhecida por sua enorme classe e leveza dentro das quadras, o que a levaram a receber apelidos como “Andorinha” e “Bailarina”. Além disso, ela possuía saques bastante potentes, fato que surpreendia suas adversárias uma vez que, na época, as raquetes eram feitas de madeira e possuíam um peso muito superior do que as atuais (de fibra de carbono). Estes saques, combinados a uma rápida subida à rede, eram as principais armas de seu jogo.

Ao longo dos quase 20 anos de carreira, segundo contas da própria tenista, foram 589 títulos, sendo 71 deles em torneios de simples.  Em uma época na qual os principais tenistas jogavam tanto simples, quanto em duplas, Maria Esther chegava a disputar 21 jogos por semana, quando jogava também a chave de duplas mistas. Em função do brilhantismo alcançado, a Bailarina entrou para o International Tennis Hall of Fame (o Hall da Fama Mundial do Tênis), no ano de 1978, sediado em Nova York.

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Maria Esther Bueno parecia flutuar pela quadra, tamanha sutileza (Foto: Reprodução).

Maria Esther Bueno foi homenageada também em Londres, com uma estátua presente no museu de cera Madame Tussauds. O maior reconhecimento em terras estrangeiras se dá pela baixa popularidade do esporte no Brasil, No entanto, os muitos anos de glórias lhe renderam algumas homenagens em território nacional. Existem 4 estátuas da brasileira na cidade de São Paulo: uma na entrada do Clube de Regatas Tietê – onde começou a jogar –, outra dentro do estádio do Pacaembu, uma na sede da Federação Paulista de Tênis e uma quarta posicionada na praça da Califórnia.

No total, Maria Esther Bueno conquistou 19 títulos de Grand Slam na carreia. Além do tricampeonato de simples em Wimbledon, ela faturou o tetracampeonato em Forest Hills (1959, 1963, 1964, 1966), onde era disputado o Aberto dos Estados Unidos até 1977. Nas duplas, foram doze títulos, sendo um deles em duplas mistas, conquistado em Roland Garros, ao lado do australiano Bob Howe e onze nas duplas femininas. Foram eles: cinco em Wimbledon (1958, 1960, 1963, 1965, 1966), com quatro parceiras diferentes, cinco no Aberto dos Estados Unidos (1960, 1962, 1963, 1966 e 1968) e uma conquista no Aberto da Austrália ao lado da britânica Christine Truman.

O ano de 1960 foi especialmente marcante na carreira da atleta, pois se tornou a primeira mulher a conquistar o Grand Slam no circuito de duplas, ou seja, a sair campeã nos quatro principais torneios da temporada. O feito veio após o título na Austrália com a parceria de Truman e a conquista, ao lado de Darlene Hard, dos outros três Majors do ano. Com essa enorme gama de títulos, ela ocupou a primeira posição do ranking mundial durante os anos de 1959, 1960, 1964 e 1966.

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Maria Esther Bueno com seu terceiro troféu em Wimbledon (Foto: Keytone Press)

Apesar das inúmeras conquistas, a Andorinha de São Paulo nunca ganhou recompensas gordas, como as vistas atualmente. Isso é explicado pela baixa popularidade do tênis à época e pelo fato de ela ter jogado durante muitos anos como atleta amadora. A transição do esporte para a era profissional coincidiu com os anos finais da carreira de Maria Esther, quando as diversas contusões e operações eram um entrave para o bom rendimento. Para se ter uma ideia, ela recebeu o prêmio de 15 libras (!) pelo título de 1959, em Wimbledon. Já a premiação em 1968, foi de 750 libras para a campeã deste mesmo torneio.

Além dos diversos títulos importantes na carreira, a paulistana também ficou marcada por ter alcançado inúmeras semifinais e finais de torneios de Grand Slam. No entanto, Maria Esther Bueno trata estes “insucessos” com desdém, demonstrando que a competitividade sempre foi um traço da personalidade da campeã que foi.

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Luan Scanferla

Luan Scanferla

Estudante de jornalismo pela UFF, desde berço aficionado por futebol. Com o passar dos anos e o amadurecimento, me transformei em um apaixonado por ESPORTE. Sempre soube que em meu ofício o esporte deveria estar presente, mesmo que não como “ator”. Gosto de discussões acaloradas sobre o assunto, mas sempre com bom humor e trocadilhos em demasia.



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