Em nome de todos os amantes do esporte

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A carreira de Romo foi atrapalhada por lesões e problemas de recuperação. Mas sua habilidade e identificação com a franquia compensaram todo o resto (foto: The Washington Times)

O franchise player ídolo dos Cowboys pode não ter conquistado nenhum título, mas nunca será esquecido

Tony Romo não foi brilhante.

É estranho começar um texto homenageando um jogador em sua despedida, assim, com desmerecimento. E, apesar de tamanha audácia na afirmação, me arrisco a dizer que existe muita verdade nela.

Mas quem disse que para deixar o seu nome na história é necessário ser à prova de erros? Afinal, somos todos humanos. E Romo, com toda certeza, é um deles.

Romo, em Eastern Illinois no ano de 2002, o seu último no college (foto: reprodução)

Logo em seu começo de trajetória na liga, em 2003, Antonio Ramiro Romo, aluno e quarterback do time de Eastern Illinois Univesity, não impressionou os olheiros o suficiente durante o combine (uma espécie de “show de habilidades” dos futuros profissionais) para ser draftado. E não foi. Em um draft em que os times precisavam de atletas para a posição, ele sequer participou das principais escolhas.

Tinha tudo para dar errado, de fato. Mas Romo foi escolhido pelo time de Dallas para ser o terceiro QB do elenco. Com contrato de free agent e uma vontade de mostrar serviço aos seus coaches e ao chefão Jerry Jones, dono da franquia, o garoto, natural de San Diego sofria com bastante desconfiança por parte deles.

Números que não mentem

Com um rating de 184.4, 34 touchdowns e 3165 jardas em apenas 12 jogos de sua última temporada de college, o talento do jogador só foi utilizado 3 anos depois de sua aquisição em 2006. Com a idade já chegando para o veterano Drew Bledsoe, inconstante na posição, as opções do roster apontavam para Romo. Era a chance do garoto brilhar. E ele não decepcionou.

Romo foi, sem dúvida, marcante para a história dos Cowboys (foto: Ronald Martinez/Getty Images)

Participando de 11 dos 16 jogos totais, Romo vestiu a camisa e carregou os Cowboys em uma campanha no mínimo, satisfatória: 7 vitórias, incluindo uma contra o até então invicto, Indianapolis Colts, da lenda Peyton Manning, um jogo de 5 TDs e a vaga nos playoffs. Era o começo de uma relação profunda entre jogador e franquia.

2007: começo com titularidade e o renascimento dos Cowboys

Nos anos seguintes, Tony cresceu e sua história de evolução se confundia com a de Dallas. Com idas sequenciais aos playoffs, Dallas voltava a ter um franchise player capaz de fazer os olhos do torcedor, acostumado com as glórias do tempo de Troy Aikman, voltarem a brilhar.

Com uma leitura brilhante no pocket, opções sempre interessantes no ataque e poucos erros em passes, Romo tinha segurança para desenvolver seu jogo e conquistou sua titularidade com certa facilidade. Até começarem as lesões que o seguiram ao longo da carreira.

Em 2010, um problema na clavícula o permite participar de apenas 6 jogos em toda a temporada regular. Em 2013, uma hérnia de disco impede sua participação na reta final. E então, os problemas recorrentes e a dificuldade de recuperação, carregam a carreira de Romo para um caminho complicado, apesar da indiscutível habilidade – além da imagem de “jogador de vidro”, que o segue até hoje.

Um legítimo franchise player

Dallas não conquistou nenhum título nas mãos de Tony Romo. Mas a vontade de torcer e o brilho nos olhos em participar de uma pós-temporada, perdidos no começo da década, mas comuns no passado de glórias dos Cowboys, fizeram dele uma figura reverenciada em Dallas.

Os números são a maior prova disso.

Em 2007, na primeira temporada como titular, 36 passes para touchdown; em 2009, mais de 300 jardas de passes em 9 jogos de temporada regular, um número absurdo; em 2012, uma temporada de recordes: 4903 jardas aéreas e 405 passes completados. Fantástico, se já não bastassem as 4 idas ao Pro Bowl, o jogo das estrelas da NFL.

Tony em sua última temporada, acompanhando o jogo na sideline e sem a vaga de titular, pertencente agora ao garoto Dak Prescott (foto: reprodução/Getty Images)

Romo resgatou em Dallas e naqueles que admiram sua história algo fundamental: o orgulho. E apesar de não ostentar nenhum anel em seus dedos, o que foi feito por ele jamais será apagado. Tudo um dia chega ao fim e o importante é saber reconhecer a hora de parar e de que o seu tempo já passou.

Na vida dos amantes do esporte, a paixão, a alma e toda a sua beleza transbordam em números e histórias de ressurgimento recente como a dos Cowboys. O time de Roger Staubach, de Troy Aikman, Emmitt Smith e de Michael Irvin.

O time de Tony Romo.

E em nome desses amantes: obrigado por tudo, Tony.

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Guilherme Porto

Guilherme Porto

Algo entre o famoso soccer e o lacrosse universitário da Irlanda do Norte me interessam. A paixão por esportes (lê-se quase todos), acompanhada de uma boa resenha e uma cerveja gelada me encantam bastante. E, apesar de não podermos beber aqui, o resto garanto passar com agilidade e muita informação.



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