Uma história de futebol, solidariedade e compaixão

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Espera-se uma Arena Condá lotada na terça-feira, local onde ocorrerá um jogo que não pode ser traduzido em apenas 90 minutos (foto: Reprodução/ Fernando Doesse)

O mais novo clássico sul-americano tem um significado especial e terá, no seu primeiro jogo, um palco à altura: a Arená Condá

Quem ama e entende a mística em torno do futebol é acostumado e anseia pelos grandes jogos. Ao refletir a respeito dos que carregam tradição e rivalidade, diversas combinações de dois times surgem instantaneamente na cabeça do amante de futebol. Mas o que eleva o patamar de um jogo e o faz ser um espetáculo maior e mais esperado que os outros? Normalmente é a rivalidade ou as longas e recheadas histórias dos clubes que se enfrentam – ou, em casos raros, a união e empatia em torno de algo muito maior do que o próprio esporte. Chapecoense e Atlético Nacional, hoje, dão exemplo dentro e fora das quatro linhas.

Na próxima terça-feira, 4 de abril, a Arena Condá protagonizará o recente clássico, que carrega consigo tanto significado para dois países que se juntaram em torno de um mesmo sentimento de tristeza. Hoje, toda essa solidariedade aponta para o caminho da esperança. O jogo válido pela Recopa será a primeira de duas partidas, onde se enfrentarão os campeões da Libertadores da América, o Nacional de Medellín, e o campeão da Copa Sul-Americana, a Chape, que abraçada por todos busca se reerguer após o acidente.

O duelo que é o primeiro desde a tragédia no ano passado carrega em si muito valor simbólico. No entanto, no momento em que a bola rolar, são onze de cada lado e a Recopa Sul-Americana é uma etapa importante na reestruturação da Chapecoense. O clube vem se mostrando incrivelmente forte, faz campanhas consistentes no Campeonato Estadual e também na mais importante competição de clubes da América, a Libertadores. A prova da força da camisa da Chape é que aqueles em campo hoje, mesmo com o pouco tempo de grupo, jogam com o coração, por todos os heróis que hoje descansam e torcem de longe pelo sucesso daqueles em campo.

A primeira partida da final acontecerá na Arena Condá porque uma exceção foi concedida pela Conmebol, e a capacidade reduzida da Arena de nada importa diante da grandiosidade do jogo. Uma cidade inteira terá seus olhos fixos no espetáculo. São esperadas diversas homenagens ao Atlético Nacional a partir do momento em que pousarem em Chapecó. Homenagens essas merecidas, após o exemplo de compaixão dado pelo Nacional e por todo o povo colombiano nos dias da tragédia.

A homenagem do povo colombiano à Chape no estádio Atanasio Girardot, dias após a tragédia que vitimou 71 jogadores e membros da comissão técnica (foto: Luis Acosta / AFP)

Na próxima terça-feira teremos uma Arena Condá com seus 20.089 lugares ocupados, além de toda uma cidade mobilizada. Seus mais importantes e eternos 71 torcedores estarão assistindo do alto e vibrando a cada lance. Um clássico criado pelo mais puro sentimento humano e nutrido pela motivação de honrar aqueles que partiram. Que Chapecoense x Atlético Nacional seja pelo resto da história marcado por positividade e respeito. Dessa forma, até os céus irão aplaudir.

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Bruno Mouro

Bruno Mouro

Carioca e jornalista em formação apaixonado por toda e qualquer manifestação esportiva. Relação de amor (e quase sempre de ódio também) com o Futebol e torcedor do maior do Brasil e do maior da Europa desde 1994. Defende a profissionalização do esporte, mas é o primeiro a se empolgar com aquele jogo de Várzea.


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