NFL – Análise da temporada: Carolina Panthers

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Foto: Grant Halverson/Getty Images

Do Super Bowl ao fundo do poço: Cam Newton sem gravata abalado e uma secundária exposta; confira como foi a temporada do Carolina Panthers

Campanha em 2016: 6-10; último lugar na NFC Sul

De quase campeão do Super Bowl para o último lugar da divisão. Esse foi o tamanho da queda-livre vivida pelo Carolina Panthers em 2016. A saída do badalado cornerback Josh Norman escancarou a frágil secundária das Panteras. Porém ainda há muito mais caroço nesse angu para explicar o ano decepcionante.

Cam Newton teve a pior temporada da carreira em rate (75.8), porcentagem de acertos de passe (52,9%) e jardas por tentativa de passe (6.9). O QB, sempre envolvido em polêmicas de dancinhas provocativas na endzone, chegou a ser punido pelo técnico Ron Rivera por não usar gravata na viagem a Seattle. Como punição, Cam ficaria de fora da primeira campanha do jogo. Por ironia do destino, o reserva Derek Anderson foi interceptado na primeira tentativa de passe.

Após ser MVP e liderar uma campanha quase perfeita de 15-1 em 2015, Super Cam despencou de produção. Basta reassistir às entrevistas do QB após perder o Super Bowl 50 para notar que o seu abatimento ainda reflete em campo. Newton está muito menos confiante e passa por uma mudança no seu estilo de jogo.

O Panthers tem que diminuir a exposição desnecessária de Cam Newton (Foto: Bob Leverone/AP)

Além das defesas adversárias se prepararem mais para enfrentar a read option e as corridas de Cam, diminuir os rushs do QB é uma necessidade também para preservar o seu próprio corpo. Mesmo sendo um monstro (1,96m e 111kg), Newton não é inquebrável e sofreu com lesões em 2016.

Pela primeira vez desde que entrou na liga, o quarterback teve menos de 100 tentativas de corrida (90), mesmo assim continua com um número alto se comparado às 72 corridas de Russell Wilson e 67 de Aaron Rodgers. Mas já é uma melhora significativa se comparado à temporada passada, onde foram irreais 132 attempts.

Essa mudança de estilo de jogo exigiu que Cam Newton utilizasse melhor seu braço dentro do pocket, e é daí que vem a sua queda nos números. O QB mostrou leituras bem ruins, principalmente quando os linebackers recuavam para marcar o passe em zona, ao invés de tentar correr para derrubá-lo. Se adaptar a essa evolução é o que pode fazer a diferença entre ser um Russell Wilson ou um Colin Kaepernick na NFL.

O que deu certo: Greg Olsen ainda é um grande alvo

Cam Newton pode estar com problemas para adaptar seu jogo a um estilo mais de pocket passer, mas essa tarefa poderia estar bem pior se os Panthers não tivessem Greg Olsen como alvo. O tight end passou das 1000 jardas recebidas pela terceira temporada consecutiva.

A manutenção do nível de atuação de Olsen é de certa forma surpreendente, até porque com a volta de Kelvin Benjamin, era esperado que o WR “tirasse” jardas do tight end. Mesmo com 941 jardas e 7 TDs, Benjamin não ofuscou a temporada de Olsen e ambos formaram uma boa dupla de recebedores para os Panthers.

Só Greg Olsen e Travis Kelce passaram das 1000 jardas entre os TEs (Foto: Mike McCarn/AP)

O front seven da defesa de Carolina continuou sendo destaque também. Luke Kuechly e Thomas Davis seguem monstruosos, tanto no pass rush, quanto para conter o jogo corrido. Apesar de trocar Kony Ealy para os Patriots, Carolina trouxe de volta Julius Peppers para compor a linha defensiva em 2017.

O que deu errado: Josh Norman faz uma falta…

Enquanto a primeira linha de defesa fez o seu trabalho, a secundária foi um caminhão de problemas para os Panthers em 2016. Todos queriam saber se era o grupo que fazia Josh Norman jogar bem ou se era o CB que fazia o nível do grupo subir. Felizes foram os Redskins nessa história.

As Panteras caíram do top 10 em 2015, para quarta pior defesa contra o passe em 2016 na NFL. Apenas Kurt Coleman seguiu jogando em alto nível e carregou a secundária quase que sozinho. O strong safety conseguiu 4 interceptações e ainda anotou 1 TD.

Carolina tentou se precaver da saída de Norman para os Redskins. Das cinco escolhas de draft em 2016, os Panthers selecionaram três cornerbacks: James Bradberry, Daryl Worley e Zach Sanchez. Recheado de calouros e um ineficiente Leonard Johnson, que defendeu apenas UM mísero passe em 10 jogos, as Panteras agonizaram contra o jogo aéreo.

Kurt Coleman carregou sozinho a secundária com a saída de Josh Norman (Foto: Patrick Smith/Getty Images)

Assim como com Julius Peppers, a franquia aposta agora na volta de um jogador experiente e com sucesso passado em Carolina para ajeitar as coisas. O CB Captain Munnerlyn, que jogou por cinco temporadas nos Panthers, está de volta, após formar uma das melhores secundárias nos Vikings durante os últimos três anos. A esperança é que finalmente a falta de Norman seja sanada.

Saldo: mais negativo impossível

Não bastasse estar no Super Bowl num ano e amargar a lanterna da divisão no ano seguinte, os Panthers ainda viram seu rival Atlanta Falcons ficar a 15 minutos de vencer a final da NFL. Porém, a NFC Sul novamente padeceu no SB.

Considerando que o próprio Panthers foi ao SB e não voltou aos playoffs no ano seguinte, o mesmo pode acontecer com os Falcons e vice-versa. Ainda mais numa divisão como a NFC Sul. Desde que foi criada, os 15 títulos estão bem distribuídos entre as franquias: são cinco para os Panthers, quatro para os Falcons, três para os Saints e três para os Buccaneers.

Com um time melhor, boa posição de draft e uma divisão rotativa e equilibrada, é esperado que o Carolina Panthers volte a brigar por playoffs em 2017. Porém, tudo passa pela evolução do jogo de Cam Newton, se o QB vai colocar a cabeça no lugar e se finalmente deixar a derrota do Super Bowl 50 para trás.

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Vinícius Mathias

Vinícius Mathias

Jornalista e ala-armador nas horas vagas. Sofre nas ligas americanas com Timberwolves, Jaguars, Sharks e Angels. Se arrepende por não ter escolhido o Seahawks. Chelsea e Alemanha trazem felicidade no futebol, pelo menos. Fã de Aaron Rodgers, Jimmie Johnson, Kevin Garnett, Kimi Räikkönen e de uma Heineken bem gelada.


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