A Evolução do Jogo: A Era dos Armadores

A Evolução do Jogo: A Era dos Armadores
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Isiah Thomas e Magic Johnson, dois dos maiores armadores da história do basquete (Foto: Andrew D. Bernstein/NBAE/Getty Images)

Nunca houve tempo melhor para ser um point guard na NBA

Se você, caro leitor, acompanha o esporte há alguns anos, provavelmente já ouviu algum fã mais saudosista falar: “Hoje em dia, faltam armadores clássicos no basquete.” Praticamente extinto, esse estilo de jogador se mantém presente na memória de muita gente. E lá certamente irão continuar. Serão apenas lembranças, pois é improvável que eles voltem a figurar nas quadras. Vamos à explicação do porquê.

Em primeiro lugar, diretamente das enciclopédias, a definição do que seria um point guard: “O armador, também chamado de posição 1, é responsável por organizar as jogadas ofensivas da equipe, controlando a bola e criando oportunidades para seus companheiros.” Ou seja, eles valorizam o passe e as assistências e abraçam a responsabilidade de “orquestrar” ao invés de finalizar e pontuar.

Talvez quem mais se aproxime disso hoje seja Chris Paul, do Los Angeles Clippers. Rajon Rondo, em sua época de Boston Celtics, também lembrava bastante o estilo. Além deles, não restam muitos nomes com essas características exatas na atual NBA. Mas isso não é exatamente uma coisa negativa.

O basquete, assim como outras modalidades, sofreu diversas mudanças e vem evoluindo gradativamente com o tempo. A nossa querida bola alaranjada já passou por muita coisa. Do jogo mais lento de 1960, ela foi para a beleza e a habilidade da década de 80. E depois, nos anos 90, se tornou um esporte completamente físico e de contato, onde o atleticismo reinava.

Após a chegada do novo milênio, o melhor basquete do mundo, sofreu mudanças nas regras. Algumas delas foram: a permissão de uso de defesas em zona e faltas defensivas de três segundos no garrafão, que impedem os pivôs de se manterem estáticos protegendo o aro. Segundo a própria NBA, o intuito era “abrir o jogo”, dando mais liberdade de movimento aos jogadores, principalmente no perímetro.

Essa abertura de espaço possibilitou que o armador se destacasse mais ofensivamente, procurando investidas e pontuando. Simultaneamente, as defesas foram obrigadas a se adaptar a esse novo esquema de jogo.

Russel Westbrook e Steph Curry são símbolos da atual geração de point guards (Foto: Marcio Jose Sanchez/AP)

Foi então que uma espécie de “seleção natural” ocorreu na posição. As equipes não precisavam mais desse armador clássico. Para sobreviver, ele teria que adquirir novas habilidades e aumentar sua capacidade ofensiva. Além de construir as jogadas, o point guard teria que pontuar quando seus companheiros estivessem marcados e ter inteligência e visão para decidir quando e como agir na escolha entre passar ou marcar pontos. Esse leque maior de opções torna o jogador imprevisível e dificulta o trabalho do adversário, que não conseguindo prever o lance, é obrigado a fazer uma marcação mais próxima.

Em termos estatísticos, na temporada de 2004-2005 — ano das mudanças — apenas 3 armadores figuravam no top 20 de maiores pontuadores. Na atual, temos 7 jogadores da posição 1 na lista (incluindo dois no top três, o líder Russel Westbrook e o terceiro colocado, Isaiah Thomas). Além disso, das 16 equipes na zona dos playoffs hoje, doze possuem armadores titulares com médias acima de 15 pontos e 6 assistências por jogo.

Tudo isso colabora para uma competitividade nunca antes vista na posição. Temos Steph Curry, que consegue acertar a cesta de qualquer lugar da quadra; Westbrook, com sua explosão e números absurdamente ignorantes; Kyrie Irving, e seus dribles desconcertantes; Isaiah Thomas, e sua incrível média de pontos no último período. Isso sem citar John Wall, Damian Lillard, CP3, Kyle Lowry, entre outros. Possuindo estilos próprios, cada um deles vai liderando algumas das melhores equipes da temporada.

Com todo o respeito a Magic Johnson, Isiah Thomas — não confundir com o Isaiah do Celtics — e John Stockton, talvez estejamos vivendo a melhor fase da história da liga para os point guards. E com tantas opções, parece que os armadores “clássicos” não fazem tanta falta assim.

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Felipe Coelho

Felipe Coelho

Apaixonado por esportes e por redação desde pequeno, demorou a perceber que poderia unir essas duas paixões como forma de viver e se expressar. Se jogou de cabeça relativamente tarde no basquete, mas a partir daí não parou mais. Até se esforça na hora da pelada, mas a habilidade só existe nos videogames mesmo. Nerd de carteirinha, coleciona milhares de horas na Steam. Football Manager player since 2005.



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