NFL – Análise da temporada: Los Angeles Rams

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Foto: Butch Dill/AP

Na volta pra LA com uma linha ofensiva inútil, a culpa ainda não é de Jared Goff; confira como foi a temporada 2016 do Los Angeles Rams

Campanha em 2016: 4-12; terceiro lugar na NFC Oeste

A impressão que fica é que os Rams colocaram o carro na frente dos bois em 2016. Ao voltar para Los Angeles, a franquia buscou impacto imediato e tentou mudar tudo em um estalar de dedos. Em um draft tão talentoso, os Carneiros deram a vida para escolher um QB pick 1. Um movimento arriscado e que ainda não deu certo.

A decepção grande com Nick Foles no ano passado fez com que Jared Goff fosse escolhido no draft. O problema foi que o QB ainda não estava pronto para chegar na NFL e jogar imediatamente (lembrem-se que Aaron Rodgers ficou anos aprendendo com Brett Favre antes de assumir o ataque dos Packers).

Além de Goff estar cru, os Rams têm sérias deficiências no elenco, principalmente na sua linha ofensiva. A conta: quarterback calouro + linha ofensiva desastrosa + recebedores ruins = fracasso. O contrário também é verdadeiro, vide o desempenho de Dak Prescott nos Cowboys.

Todd Gurley livre foi cena rara de se ver em 2016 (Foto: Elaine Thompson/AP)

Antes de apontar o dedo e dizer que Jared Goff é absurdamente ruim, temos que lembrar que um dos melhores RB de 2015 não conseguiu correr em 2016 por causa da linha ofensiva. Vamos dizer que Todd Gurley também é ruim? Longe disso.

Mesmo com vários problemas, os Rams ainda são um time imprevisível. Todo ano, de alguma forma, o time arranca vitórias de Seahawks e Cardinals. E esse ano não foi diferente: venceu uma partida contra cada, mas perdeu as duas para os 49ers (únicas vitórias de SF no ano).

A vitória contra Seattle, aliás, foi a única em casa na temporada. No geral, LA começou 3-1 e fez 1-11 na sequência, fechando sua participação em 4-12 e Jeff Fisher finalmente demitido na semana 13.

O que deu certo: Aaron Donald é o melhor DT da NFL

Geralmente o trabalho de derrubar o QB adversário é responsabilidade do outside linebacker e do defensive end. A não ser que seu nome seja Aaron Donald. Mesmo sem alcançar os incríveis 11 sacks de 2015, o jogador ainda foi o segundo defensive tackle nesse quesito em 2016 ao alcançar oito, atrás apenas de Geno Atkins, dos Bengals, com nove.

Apesar de figurar no meio de tabela nas estatísticas, a defesa do Los Angeles Rams é boa e possui algumas peças interessantes. Além de Donald, a linha defensiva também possui nomes como Robert Quinn, Dominique Easley e Eugene Sims. Antes da temporada 2016 começar, o grupo foi considerado a melhor defensive line da liga por Gregg Rosenthal, jornalista e colunista no site da NFL.

Aaron Donald continuou uma máquina de tackles e sacks (Foto: Jamie Squire/Getty Images)

Alec Ogletree também é um jogador acima da média na defesa dos Rams. O middle linebacker é um dos melhores na função atualmente e terminou 2016 na sétima posição em tackles na liga, com 136. O maior problema da boa defesa de LA é o excessivo tempo que fica em campo, já que o ataque não produz nada.

O que deu errado: ataque pífio, patético

Por mais que seja tentador criticar os quarterbacks Case Keenum e Jared Goff, é impossível jogar bem com a linha ofensiva dos Rams. Geralmente cada grupo de offensive linemen tem um desempenho mais efetivo em uma das funções, seja facilitar o jogo corrido ou proteger o QB para o passe. Os Rams não fazem nenhum dos dois.

Keenum foi sackado 23 vezes em 10 jogos, terminando com 9 touchdowns e 11 interceptações. Goff também ficou negativo por dois, com 5 TDs e 7 Int. O calouro sofreu ainda mais com a falta de proteção, ao sofrer 26 sacks em sete jogos.

A proteção da linha ofensiva foi tão inútil que nem Todd Gurley conseguiu correr com a bola. Na sua temporada de estreia, em 2015, o RB correu 1106 jardas, anotou 10 touchdowns e conseguiu uma ótima média de 4,8 jardas por corrida.

Em 2016 a história foi bem diferente e a média caiu para 3,2 por carregada. Gurley terminou com 885 jardas e 8 TDs, mesmo jogando três jogos a mais que no ano anterior. Adivinha de quem foi a culpa…

Goff foi “muito bem” protegido por sua linha ofensiva (Foto: Scott Eklund/AP)

Uma das estatísticas mais interessantes são as jardas ganhas antes do contato no jogo terrestre, ou seja, o quanto de terreno um atleta consegue ganhar correndo com a bola antes de receber o primeiro toque da defesa. Os RB dos Rams ganharam apenas 1,11 jarda antes de tomar um tackle do adversário. Quarta pior marca da NFL.

Com Keenum e Goff abaixo do esperado e sem proteção da linha ofensiva – que também não abria espaço para Todd Gurley – o LA Rams foi o único time a não conseguir média acima de 300 jardas por jogo foram míseras 262.7. O péssimo desempenho em conquistar jardas, resultou na média de apenas 14 pontos marcados por partida. Pior marca da liga.

Saldo: negativo é apelido

Mais triste que a temporada do time, só a falsa impressão de sucesso que a franquia deu aos seus torcedores. As três vitórias nos primeiros quatro jogos, inclusive sobre os rivais Seattle e Arizona, criaram o selo empolgou™ em Los Angeles. Mas a realidade bateu na porta e vieram 11 derrotas, incluindo duas para os 49ers.

Por conta da troca com os Titans para ficar com a pick 1 no passado, os Rams passaram o direito da sua escolha de primeiro round de 2017 para Tennessee. Assim, a quinta escolha desse draft, que seria de LA, será dos Titans. A primeira seleção dos Carneiros será apenas na segunda rodada.

Com um elenco cheio de buracos, ficar sem uma escolha de primeira rodada pode ser desastroso para Los Angeles. O fato é que a franquia precisa urgentemente fornecer proteção e alvos para Jared Goff. Só assim poderemos julgar se o QB é de fato bom ou ruim.

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Vinícius Mathias

Vinícius Mathias

Jornalista e ala-armador nas horas vagas. Sofre nas ligas americanas com Timberwolves, Jaguars, Sharks e Angels. Se arrepende por não ter escolhido o Seahawks. Chelsea e Alemanha trazem felicidade no futebol, pelo menos. Fã de Aaron Rodgers, Jimmie Johnson, Kevin Garnett, Kimi Räikkönen e de uma Heineken bem gelada.



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