Empate Amargo

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Os jogadores em volta do árbitro: Índio roubou a cena na partida (Foto:Edu Andrade/Fatopress/Estadão Conteúdo)

Clássico decidido com lances irregulares e protagonismo do juiz nos deixa um sentimento de derrota.

Apesar de não valer muita coisa no Campeonato Carioca, o Flamengo x Vasco deste domingo cumpriu o prometido: foi um jogo repleto de emoções. Teve apagão no estádio, jogador peitando o juiz, expulsão e, principalmente, erros de arbitragem que acabaram mudando o rumo do jogo.

O Vasco começou a partida com ótima postura, atacando o tempo inteiro e criando boas jogadas. Finalizou com perigo algumas vezes, até que aos 15 minutos do primeiro tempo, Luís Fabiano e Réver perderam a bola em uma dividida pela esquerda. Nenê usou toda a sua astúcia e não desistiu do lance, correu, roubou a bola, avançou em velocidade até a grande área e cruzou, encontrando Yago Pikachu na cara do gol. O meia só teve o trabalho de empurrar para as redes e correr para a galera! O Vasco abriu 1×0 e surpreendeu até o mais otimista torcedor.

Depois de abrir o placar, o time manteve a postura ofensiva e sua zaga conseguiu conter as tentativas do Flamengo de chegar ao ataque. Tudo parecia perfeito até que aos 27 minutos, momento em que o Vasco cobraria uma falta perigosa pela esquerda, as luzes no Mané Garrincha se apagaram. Foi um balde de água fria no ritmo da equipe. Quando o jogo foi reiniciado, o Vasco não conseguiu manter a cadência e o Flamengo dominou a partida.

 

Yago Pikachu se tornou titular após a chegada de Milton Mendes: dois jogos, dois gols
(Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

 

Na volta para o segundo tempo, o rubro-negro manteve a pegada ofensiva, apesar de não ter conseguido converter as chances em gols. Ninguém imaginava ainda a quantidade de reviravoltas que o jogo daria em poucos minutos. Começou quando, aos oito, Luís Fabiano cometeu falta em cima de Márcio Araújo e recebeu cartão amarelo. Indignado, o atacante vascaíno partiu para cima do juiz Luís Antônio Silva Santos, o Índio, e lhe peitou. Índio não pensou duas vezes antes de puxar o cartão vermelho (após uma encenada de leve, talvez querendo justificar o que faria em seguida) e expulsou o jogador de campo. Luís Fabiano saiu possesso e precisou ser contido pelo treinador Milton Mendes, que provavelmente se perguntava o que faria com a equipe dali em diante. Se com onze jogadores o Vasco já sofria pressão do Flamengo, com dez ela só aumentou. Não demorou muito para o rival fazer um gol, anulado de uma maneira esquisita pelo bandeirinha, e em seguida outro, com Willian Arão aos 14 minutos. O gol que empatou o jogo.

Em cinco minutos, o Flamengo viraria o jogo com um gol de Berrío, jogando uma ducha de água fria na torcida vascaína. A partir dali, o Vasco foi completamente dominado pelo rubro-negro e não nos restou muita esperança para o restante do jogo. Disputando a partida com um homem a menos e já sem ânimo, o sentimento geral era a vontade de que acabasse logo. Milton Mendes então trocou jogadores por novas opções ofensivas e, no finalzinho do segundo tempo, o Vasco até ensaiou uma reação. Douglas cobrou uma falta e a bola explodiu no travessão de Muralha. O jogo parecia se encaminhar para a segunda derrota consecutiva do Vasco diante do rival, até que, aos 47 minutos, aconteceu o lance que mudaria o rumo do jogo.

 

Nenê celebra o empate, mas na verdade, não há muito o que comemorar (foto: Nelson Costa/Vasco.com.br)

 

Nenê, dentro da grande área, chutou a bola em cima de Renê, e ela explodiu em sua barriga. Índio, porém, viu o lance como toque de mão e marcou pênalti para o cruzmaltino. Era tudo o que o time queria. O próprio Nenê cobrou a penalidade e converteu, empatando o jogo em 2×2. Os jogadores comemoraram como nunca, muitos torcedores fizeram o mesmo e até lembraram a final do Campeonato Carioca de 2014, marcada por erros de arbitragem que deram o título ao Flamengo. O sentimento que ficou para alguns vascaínos foi um misto de vergonha do empate e desejo de que não tivesse sido do jeito que foi. Um sentimento amargo.

Foi um jogo quente, pegado. Um jogo com todo o tipo de situação. Teve chuva, gol mal anulado, jogador expulso, apagão, pênalti inexistente. Apesar de tudo indicar que os jogadores seriam as maiores estrelas do clássico, o protagonismo infelizmente ganhou outro nome: Luís Antônio Silva Santos. A partida foi decidida no apito, o que é uma pena. Resta torcer para que o próximo Flamengo x Vasco não seja tão afetado pela arbitragem, algo que só diminui cada vez mais o brilho de uma partida de futebol.

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Raphaela Reis

Raphaela Reis

Estudante de publicidade, 19 anos, nascida e criada no Méier, subúrbio do Rio de Janeiro. Apaixonada por futebol e pelo Vasco desde criança, viciada em ler o caderno de esportes do jornal e desafiante oficial dos tios e primos no FIFA. Infelizmente não realizou a fantasia de se tornar a nova Marta, mas hoje busca nas palavras uma forma de se manter conectada ao mundo da bola.


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