A Nova Campanha da Rússia

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Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

Uma dura batalha se aproxima da seleção brasileira: diante de nós, o Uruguai, um adversário difícil, mas conhecido

Deu-se início dia 24 de junho até 14 de dezembro, mas de 1812, a Campanha da Rússia, codinome pelo qual ficou conhecida a ousada operação militar francesa para invadir os Eslavos do Norte, uma das maiores e mais ferozes campanhas militares da história e que marcou o começo da queda do poderoso império de Napoleão Bonaparte. Hoje, em tempos de paz (?), a guerra continua tendo um lugar marcado: antes, campo de batalha. Agora, campo de futebol. É verdade, às vezes, rola um sanguezinho, mas nada que se compare aos tenebrosos tempos de outrora. Como a história é cíclica, o objetivo também continua o mesmo: chegar a Moscou.

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Estádio Luzhniki – o palco da batalha final da Guerra da Bola (Créditos: Governo de Moscou)

Dos inúmeros pavilhões que disputam uma das 32 vagas ao mundial, que começa também em junho, mas de 2018, talvez, nenhum esteja atualmente tão próximo de conquistá-la e tão obstinado a mostrar seu poder, como o escrete brasileiro. Passados 958 dias após a campanha mais vexatória dos soldados canarinhos e depois de um começo/meio de Eliminatórias muito preocupante, a seleção, de novo comandante, o Marechal Adenor Leonardo Bachi, ou apenas Tite, saltou da sexta posição pra liderança do torneio, numa série invicta de seis jogos, sendo eles, um banho de bola na forte Argentina, de Lionel Messi, e uma vitória contra o bom time colombiano. Pelas contas da comissão técnica, o que antes era insegurança e receio de mais uma página triste de nossa história, se tornou uma tranquila necessidade de somar só mais dois pontos e ultrapassar o número mágico de 28, que foi quanto alcançou o Equador, 4º lugar nas últimas Eliminatórias, classificado sem a necessidade de repescagem.

Uruguai x Brasil: a nova Campanha da Rússia

Fato é que tal classificação oficiosa pode vir nesta quinta-feira, contra o Uruguai, que, no decorrer da história, também travou batalhas com o Brasil, fora e dentro de campo.

Quando no Brasil, arrancaram um empate. Agora, é hora dos uruguaios mandarem o jogo no famoso caldeirão do Estádio Centenário, tradicional casa da seleção celeste. Desde 2006 no comando, Óscar Tabárez é o treinador mais longevo em uma seleção na história. Campeão da Copa América 2011 e semifinalista de Copa do Mundo, El Maestro, como é chamado, tem problemas pra escalar seu time, que é segundo lugar nas eliminatórias, com 23 pontos, pois terá a ausência de sua maior estrela, Luizito Suárez, camisa 9 do Barcelona, além de Álvaro Pereira e do goleiro Muslera, que deve ser substituído por Martín Silva, arqueiro do Vasco da Gama. Não resta outra opção a Tabárez, se não apostar suas esperanças num dia inspirado de Edison Cavani, atacante do Paris Saint-Germain e artilheiro da competição com oito gols e na experiência do zagueiro Diego Godín, do Atlético de Madrid.

Do lado brasileiro, uma ausência será sentida: Gabriel Jesus. Com o dedo do pé direito quebrado na vitória de seu time, o Manchester City, por 2 a 0 contra o Bournemouth, o atacante titular do técnico Pep Guardiola passou por cirurgia e retornará aos gramados, possivelmente, só no mês que vem. Para o seu lugar, não houve nem gostinho de mistério: preservando o esquema já usado, o 4-1-4-1, Tite treinou taticamente com Roberto Firmino, do Liverpool, na vaga do menino Jesus. Que deve ser completado com Alisson, no gol; zaga formada por Marcelo, Miranda, Marquinhos e Daniel Alves. No meio, fiel escudeiro de Tite dos tempos de Corinthians e já carrasco uruguaio na semifinal das Copa das Confederações de 2013, Paulinho com Renato Augusto e Casemiro. Mais a frente, em cada ponta, Neymar e Philippe Coutinho.

Nem o Brasil, tampouco a Seleção, tiveram qualquer participação em tal triste episódio. Ainda que os objetivos estratégicos sejam os mesmos, a chegada à capital russa representaria, naquele tempo, morte e dor, enquanto uma “invasão” brasileira traria, ao mundo inteiro, inclusive, a alegria de quem sempre só usou as pernas como arma, e nunca pra ferir.

Quinta, às 20 horas, horário de Brasília, uma batalha será tramada. Uma guerra em 90 minutos que pode nos dar algo que a vida, às vezes, não costuma dar: uma nova chance de reescrever uma página e vencer.

E pra vencer, a seleção precisa superar seus fantasmas, sem nunca se esquecer da lição que a ferida de guerra deixou.

A história pune. A bola, também.

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