O que Indian Wells pode nos dizer sobre o restante da temporada

O que Indian Wells pode nos dizer sobre o restante da temporada

Foto: Novak Djokovic e Andy Murray/Getty Images

Torneio na Califórnia gera expectativas para uma temporada marcante


Um dos torneios mais badalados dentre as competições que compõem o circuito dos Masters 1000, o ATP de Indian Wells chega ao seu fim nesse domingo levantando boas dúvidas sobre como serão as disputas pelo lugar mais alto do pódio nos Grand Slams durante o restante da temporada.

Nos últimos dois anos, o cenário do tênis masculino apontava para a consolidação da dinastia de Novak Djokovic, que havia conquistado três dos quatro grandes torneios do circuito no ano de 2015, se tornando o primeiro tenista masculino a vencer quatro torneios de maneira consecutiva, incluindo sua conquista inédita no aberto de Roland Garros no ano passado.

O mundo do tênis já parecia se conformar com o fim da era Federer/Nadal. O domínio do sérvio coincidia com o declínio de Fedal. Pela primeira vez desde o ano de 2002 não se viu nem o Leão da Montanha, nem o Touro Miúra no lugar mais alto do pódio. As lesões dos dois se multiplicavam, impedindo que eles pudessem competir com a nova geração de igual para igual.

Após um biênio espetacular, Djoko começou a dar sinais de desgaste no segundo semestre de 2016 e passou a ser seguido de perto pelo suíço Stan Wawrinka, que ganhou seus primeiros três Grand Slams nos últimos três anos. Além de Stan, Andy Murray, que após três anos voltou a vencer Wimbledon, mostrou uma evolução incrível em seu tênis, controlando seu temperamento explosivo, e conseguiu chegar ao posto de número 1 do mundo em novembro, interrompendo o reinado de 123 semanas de Novak Djokovic.

A temporada de 2017, que prometia girar em torno da monótona disputa Murray x Djoko, trouxe de volta o inesperado em seu primeiro Grand Slam. No Australian Open, Djoko e Murray foram eliminados na segunda e quarta fase, respectivamente, e Federer e Nadal voltaram a decidir um Grand Slam após seis anos, jogando um tênis exuberante após longo período de lesões.

O escorregão dos dois melhores jogadores do mundo em fases iniciais do torneio, que poderia ter se configurado como sorte ou obra dos deuses do tênis para conseguirmos ver Fedal disputando uma final de Grand Slam, se repetiu no torneio de Indian Wells. Djokovic foi eliminado novamente por Nick Kyrgios (que já havia vencido Djoko também em Acapulco) em um torneio de ATP antes das quartas de final, enquanto Murray caiu para o canadense Vasek Pospisil (número 129 do mundo) ainda na primeira fase e, nessa semana, anunciou sua ausência do torneio de Miami devido a uma contusão no cotovelo.

Enquanto isso, Federer voltou a jogar um tênis impecável, mostrando evolução física e destruindo Nadal nas oitavas de final. O espanhol, apesar da eliminação precoce em Indian Wells e o vice-campeonato no Australian Open, mostrou que as lesões parecem ter ficado no passado, se credenciando para a disputa do título em Roland Garros, quadra onde é o maior vencedor, com nove títulos.

Os ventos de Indian Wells trazem aos amantes da bolinha amarela a expectativa de uma temporada bastante equilibrada. Se Federer e Nadal conseguirem se manter saudáveis até o fim do ano, darão trabalho aos mais jovens que dominaram o circuito nos últimos dois anos e podem protagonizar grandes partidas, fazendo dessa temporada uma das melhores dos últimos tempos. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos.

Rafael Nadal e Roger Federer (Foto: Matt Hazlett/BNP Paribas Open)

Igor Oliveira Simões

Igor Oliveira Simões

Aspirante a jornalista, escreve por prazer e necessidade. Apaixonado por esportes, gente e boas histórias. Observador 24 horas por dia e cronista nas horas vagas, alterna-se entre copos de café e cerveja, é otimista por natureza, realista por experiência e acredita no esporte para além do entretenimento, como possível ferramenta de transformação social.


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