WCT Masculino: o quê esperar de 2017

WCT Masculino: o quê esperar de 2017
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Gabriel Medina no Quiksilver Pro Gold Coast, em 2014 (Foto: ASP/Kirstin Scholtz).

As expectativas para a WSL Championship Tour (WCT), que começou na última terça (14) em Gold Coast, na Austrália

Depois de dropar as melhores ondas em 2014 e 2015 com Gabriel Medina e Mineirinho, em 2016 o Brasil apostava tudo em um terceiro ano consecutivo de vitórias no WCT, principalmente após Filipe Toledo vencer três etapas das onze etapas do CT. Se esse maravilhoso esporte não fosse protagonizado por ascensões meteóricas e surpresas incontestáveis, Matt Wilkinson seria a crista daquela onda ao conseguir duas vitórias no início da temporada. Mas não foi.

Olhando para trás, os que estavam atentos somente à dobradinha brasileira não conseguiram ver, de uma boa distância, o promissor John John Florence e suas manobras caindo (ou melhor, se reerguendo após lesões em 2015) como uma bomba nos CTs do Rio e Portugal. Ano passado, JJ decidiu que deixaria de ser a grande promessa para ser o novo campeão. No meio da temporada, o ranking atual começou a se estabelecer com vitórias de Florence, Medina e Jordy Smith, o melhor em Trestles e atual número 2 do mundo.

Florence, que confessou no Oi Rio Pro cobiçar a maré de Medina, superou o brasileiro em meio à polêmicas no Taiti sobre a credibilidade dos juízes, e essa semana inicia a temporada como favorito depois da conquista do campeonato do ano passado. Smith segue colado para rabear a onda do campeão, com Medina, voraz, logo atrás. O ranking segue com nomes como: Wilko, que saiu do papel de coadjuvante em 2016, na 5ª posição e tem grandes possibilidades de conseguir crescer mais ainda esse ano; Kelly Slater, que dispensa qualquer tipo de apresentação e vai competir seu último CT completo esse ano, na 7ª; Filipe Toledo na 10ª, Mineirinho na 11ª e Mick Fanning, que tem um histórico importante de competição contra surfistas brasileiros, ficou ausente durante uma boa parte da temporada de 2016 por conta do episódio com o ataque de tubarão em 2015 e a perda do irmão. Atualmente, Fanning ocupa a 18ª colocação.

Em matéria de apostas para 2017, Wilko deve subir antes das etapas tomarem ritmo de novo, e essa teoria se sustenta com sua atual presença nas quartas de final em Gold Coast. Mineirinho promete foco, Fanning vai competir a temporada inteira em busca o tetra e sempre terá grandes chances, Smith é ameaça o tempo todo, sua habilidade com rodeo flip não é nenhum enfeite. A estreia do português Frederico Morais pode ser uma boa surpresa entre os gigantes da elite. Slater é o gênio que sempre vai surpreender. E o champ Florence poderia, com certeza, estabelecer um reinado maior ainda se Medina fosse qualquer coisa, menos surfista.

Brazilian Storm

brazilian storm

De onde surgiu tanto BR? (Foto: Divulgação).

Após perderem suas vagas para o CT, o catarinense Alejo Muniz e o paulista Alex Ribeiro estarão disputando o WSL Qualifying Series em 2017. Bino Lopes e Jessé Mendes entram como substitutos do Top-34 junto com os 23º e 24º lugares do CT. Então, com um competidor a menos que em 2016, o Brasil marca presença no mundial deste ano com os campeões Adriano de Souza (Mineirinho) e Gabriel Medina, além de Filipe Toledo, Italo Ferreira, Caio Ibelli, Wiggolly Dantas, Miguel Pupo, Jadson André e a novidade, Ian Gouveia – os dois últimos sendo classificados pelo QS.

Apesar do número menor de brasileiros na competição em comparação com o último campeonato, é mais do que esperado ter boas surpresas com a Brazilian Storm.

A experiência e os resultados de Adriano de Souza, o Mineirinho, o mantém entre os melhores dos melhores. Agora na sua 11ª temporada, venceu o 1º e o 3º round. É o atleta mais dedicado da elite.

mineirinho campeão wct

Mineirinho foi tecnicamente perfeito para levar o título. E a receita para isso foi seu trabalho árduo (Foto: Divulgação/WSL).

Gabriel Medina esteve muito perto do bicampeonato até a penúltima etapa de 2016. Pode ser campeão, literalmente, a qualquer momento. Essa semana em Gold Coast, Medina já se lesionou no primeiro round e no quarto round bateu Slater e Conner Coffin com 15.76. Entrando na sua 6ª temporada na elite e ostentando o backflip mais adorado pelos fãs do esporte, o goofyfooter surfa com algo que não se pode tirar dele: o talento.

medina campeão wsl

Medina é talento puro sobre a prancha (Foto: Kirstin Scholtz / ASP).

Filipe Toledo, creditado como, possivelmente, o surfista mais rápido da competição e dono de aéreos bem finalizados, conseguiu crescer e segurar o 10º lugar no ranking mesmo depois de perder duas etapas por conta de uma contusão no ano passado. Na etapa atual, foi batido pelo estreante português Frederico Moraes no primeiro round, e no segundo por Ezekiel Lau, mas não desanima. Depois de Medina e Mineirinho, pode ser o próximo brasileiro a garantir título mundial.

Filipinho parece o próximo brasileiro da fila para gravar o nome entre os grandes (Foto: Divulgação/WSL).

Caio Ibelli foi brilhante no QS em 2015 e o melhor novato da temporada 2016. Teve a honra de vencer Florence em Bell’s Beach e Margaret. Ainda é cedo para posicionar Ibelli, mas nesse ano promete ir mais longe.

Wiggolly Dantas não surfou as melhores ondas e teve como seus melhores resultados duas etapas fechadas em 5º lugar em 2016. Ainda assim tem um dos surfs mais potentes da competição.

Miguel Pupo ainda não é possível definir se teve azar por parte da temporada ou sorte pela recuperação e não cair pro acesso, talvez ambos. Nessa etapa, venceu o 12º heat do 2º round contra Wiggolly, e no round seguinte não superou Joel Parkinson. Tem chance de voltar a mostrar domínio no estilo brasileiro.

Italo Ferreira campeão BR em 2014, subiu em 2015 e em 2016 se classificou sem drama. Essa semana, surfou uma onda nota 10 no 7º heat do 2º round em Gold Coast batendo o italiano Leonardo Fioravanti. Sua capacidade se expressa sozinha.

Jadson André teve como melhor resultado um 5º lugar na etapa do Rio, mas correu – ou surfou – pela fresta da porta e garantiu vaga no CT 2017. É esperada uma campanha melhor nesse ano.

Ian Gouveia tem a chance de iniciar a sua melhor série agora que está na elite.

Hoje começaram as quartas de final. Wilkinson enfrenta Parkinson, Florence surfa contra o Italo Ferreira; Connor O’Leary tentará bater seu conterrâneo Owen Wright e o último heat promete um espetáculo com Slater e Medina.

A temporada mal começou, mas é melhor John John Florence não virar as costas pro mar.

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Izabelle Souza

Izabelle Souza

Estudante de Publicidade, 20 anos, nascida e criada entre Niterói e São Gonçalo. A criança que queria correr na F1, mas acabou nadando até chegar na praia. E ainda bem que chegou! Da areia, não conseguiu evitar se apaixonar pelo surf. Da vida, não foi capaz de separar o trabalho do esporte.



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